A vitamina A tem papel direto no funcionamento dos olhos, especialmente na retina e na capacidade de enxergar em ambientes com pouca luz. Ela participa da formação de moléculas necessárias para que as células da retina transformem a luz em sinais enviados ao cérebro. Quando existe deficiência importante desse nutriente, um dos primeiros problemas que podem surgir é a dificuldade para enxergar à noite. Isso não significa, porém, que consumir mais vitamina A melhore a visão de quem já possui níveis adequados.
Por que a vitamina A é tão importante para a retina?
A retina fica na parte posterior do olho e contém células sensíveis à luz chamadas fotorreceptores. Entre elas estão os bastonetes, particularmente importantes para enxergar quando a luminosidade é baixa. Para funcionar, essas células dependem de derivados da vitamina A que participam da formação dos pigmentos visuais.
Uma revisão publicada em 2022 e disponível no PubMed explica a participação da vitamina A no processo de fototransdução da retina, no qual a luz captada pelos pigmentos visuais é convertida em um sinal elétrico. O nutriente participa especialmente na forma de 11-cis-retinal, componente essencial desses pigmentos.
Qual é a relação entre vitamina A e visão noturna?
Nos bastonetes existe um pigmento chamado rodopsina. Quando a luz chega aos olhos, alterações nesse pigmento iniciam uma sequência de sinais que permite ao cérebro formar a imagem. Depois disso, componentes derivados da vitamina A precisam ser reciclados continuamente para que o processo continue funcionando.
Quando há deficiência significativa de vitamina A, essa adaptação ao escuro pode ficar prejudicada. A pessoa pode começar a ter maior dificuldade para enxergar em locais pouco iluminados, quadro conhecido como cegueira noturna. Isso não significa que toda dificuldade para dirigir ou enxergar à noite seja falta de vitamina A, pois miopia, catarata, doenças da retina e outras alterações oftalmológicas também podem causar sintomas semelhantes.

Quais alimentos fornecem vitamina A?
A vitamina A pode chegar à alimentação de duas maneiras. Alimentos de origem animal fornecem vitamina A pré-formada, enquanto vegetais oferecem carotenoides, como o betacaroteno, que podem ser convertidos pelo organismo em vitamina A.
Entre as fontes alimentares estão:
- fígado e outros alimentos ricos em retinol;
- gema de ovo e alguns produtos lácteos;
- cenoura e abóbora;
- batata-doce de polpa alaranjada;
- couve, espinafre e outros vegetais verde-escuros;
- manga e outras frutas amarelas ou alaranjadas.
O conteúdo sobre alimentos ricos em vitamina A mostra outras fontes do nutriente e explica como ele pode ser obtido por meio de uma alimentação variada.
Tomar suplemento de vitamina A melhora a visão?
Não necessariamente. Em pessoas que já recebem vitamina A suficiente pela alimentação, aumentar muito a ingestão não costuma proporcionar uma visão noturna acima do funcionamento normal. A suplementação é utilizada principalmente quando existe deficiência ou alguma indicação específica definida por um profissional de saúde.
Além disso, a vitamina A é lipossolúvel, ou seja, pode se acumular no organismo. Suplementos em doses excessivas podem causar toxicidade, com sintomas como náuseas, dor de cabeça e alterações no fígado. O cuidado é especialmente importante durante a gravidez, período em que doses elevadas de vitamina A pré-formada podem trazer riscos ao desenvolvimento do bebê.

Quando uma piora da visão noturna precisa ser investigada?
Quem percebe dificuldade nova ou progressiva para enxergar ao anoitecer, demora excessiva para se adaptar quando entra em um ambiente escuro ou apresenta outros sintomas visuais deve procurar avaliação oftalmológica. A investigação pode considerar alimentação, uso de medicamentos, doenças intestinais que prejudicam a absorção de nutrientes e alterações próprias dos olhos.
A vitamina A é essencial para o funcionamento normal da retina, mas não substitui consultas, exames oftalmológicos nem tratamentos indicados para doenças dos olhos. Manter fontes do nutriente na alimentação ajuda a atender às necessidades do organismo, enquanto suplementação e investigação de deficiência devem ser orientadas individualmente.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou nutricional. Alterações persistentes na visão, especialmente dificuldade crescente para enxergar no escuro, devem ser avaliadas por um oftalmologista.








