Anti-inflamatórios comuns, como ibuprofeno, naproxeno e diclofenaco, não devem ser usados por conta própria durante a gravidez. O risco e a orientação mudam conforme a fase da gestação, e a preocupação se torna especialmente importante a partir da 20ª semana. Isso não significa que nenhum desses medicamentos possa ser usado em qualquer circunstância, mas que a decisão precisa considerar o remédio, a dose, o tempo de tratamento, a idade gestacional e o motivo da dor ou inflamação.
Por que os anti-inflamatórios exigem cuidado desde o início da gravidez?
Os anti-inflamatórios não esteroides, chamados de AINEs, incluem medicamentos muito conhecidos, como ibuprofeno, naproxeno e diclofenaco. Eles reduzem a produção de prostaglandinas, substâncias envolvidas na inflamação e na dor, mas que também participam de diferentes processos do organismo. É possível conhecer outros exemplos e seus cuidados no conteúdo sobre anti-inflamatórios.
No primeiro trimestre, a segurança de alguns AINEs ainda não está completamente definida. Uma análise de estudos observacionais publicada em 2024 e disponível no PubMed sobre o uso de AINEs durante a gestação encontrou associação entre exposição no início da gravidez e maior frequência de algumas malformações congênitas. Esses dados, porém, não permitem afirmar que o medicamento tenha sido a causa, já que outros fatores podem influenciar os resultados.
O que muda no segundo trimestre?
Em determinadas situações, um médico pode considerar um AINE durante parte do segundo trimestre depois de avaliar riscos e benefícios. Isso não torna esses medicamentos adequados para automedicação. A orientação depende inclusive da semana exata da gravidez.
A partir de aproximadamente 20 semanas, a atenção aumenta. A FDA orienta evitar AINEs a partir da 20ª semana de gestação, salvo quando considerados necessários por um profissional de saúde. Nessa fase, esses medicamentos podem interferir no funcionamento dos rins do feto e provocar redução do líquido amniótico, chamada oligodrâmnio.

Por que o cuidado é ainda maior depois das 30 semanas?
Depois de cerca de 30 semanas, os AINEs geralmente devem ser evitados. Além do problema renal fetal e da redução do líquido amniótico, existe preocupação com o fechamento precoce do ducto arterioso, um vaso sanguíneo essencial para a circulação do bebê enquanto ele ainda está no útero.
A FDA recomenda que profissionais evitem prescrever esses medicamentos nessa fase. Quando um AINE é considerado necessário entre 20 e 30 semanas, a orientação é usar a menor dose eficaz pelo menor período possível, sempre sob acompanhamento profissional. Em tratamentos mais prolongados, pode ser necessário avaliar o líquido amniótico por ultrassonografia.
Quais medicamentos merecem atenção na farmácia de casa?
Alguns AINEs são vendidos com facilidade ou podem estar presentes em medicamentos combinados. Por isso, a gestante deve conferir o princípio ativo antes de tomar produtos que já utilizava anteriormente. Entre os exemplos estão:
- ibuprofeno;
- naproxeno;
- diclofenaco;
- ácido acetilsalicílico em determinadas doses e indicações;
- celecoxibe e outros anti-inflamatórios da mesma classe.
Há uma exceção importante: o ácido acetilsalicílico em baixa dose pode ser prescrito durante a gestação para situações específicas, como prevenção de determinadas complicações obstétricas. Por isso, uma gestante que já usa esse medicamento por recomendação médica não deve interrompê-lo por conta própria.

Por que não vale a pena escolher outro remédio por conta própria?
Evitar um anti-inflamatório não significa simplesmente substituí-lo pelo medicamento que estiver disponível em casa. Dor, febre ou inflamação durante a gravidez podem ter causas diferentes, e a escolha do tratamento precisa levar em conta a fase da gestação, outras doenças e os medicamentos que a mulher já utiliza.
Antes de tomar qualquer remédio, inclusive os vendidos sem receita, o mais seguro é conversar com o obstetra ou outro profissional responsável pelo pré-natal. Quem tomou um anti-inflamatório antes de perceber que estava grávida também deve informar o profissional, sem interromper tratamentos prescritos ou assumir que houve algum problema com o bebê.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Durante a gravidez, medicamentos devem ser utilizados somente com orientação de um profissional de saúde.








