A metformina é um dos medicamentos mais usados no tratamento do diabetes tipo 2 porque reduz a glicose de forma eficaz, tem baixo custo e apresenta baixo risco de provocar hipoglicemia quando utilizada isoladamente. Embora hoje existam diferentes classes de antidiabéticos e o tratamento seja cada vez mais individualizado, a metformina continua sendo uma das principais opções no início do tratamento, especialmente para pessoas sem situações clínicas que indiquem prioridade para outro medicamento.
Para que serve a metformina?
A principal indicação da metformina é o controle do diabetes tipo 2. Ela ajuda a diminuir a produção de glicose pelo fígado e melhora a resposta do organismo à insulina, permitindo que esse hormônio seja utilizado de maneira mais eficiente. O resultado é uma redução dos níveis de açúcar no sangue sem estimular diretamente o pâncreas a liberar mais insulina.
Dependendo da avaliação médica, a metformina pode ser usada sozinha ou associada a outros medicamentos. Também pode ser indicada em situações específicas, como alguns casos de pré-diabetes e síndrome dos ovários policísticos. O Tua Saúde explica com mais detalhes para que serve a metformina e como o medicamento é utilizado.
Por que a metformina continua sendo tão usada?
A Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes de 2026 recomenda a metformina desde o início do tratamento para adultos assintomáticos com diabetes tipo 2 recém-diagnosticado e função renal adequada, junto às mudanças no estilo de vida. Entre as vantagens destacadas estão a boa capacidade de reduzir a glicemia, o baixo custo, a experiência acumulada de décadas de uso e o pequeno risco de hipoglicemia quando usada isoladamente.
Isso não significa que ela seja obrigatoriamente o primeiro medicamento para todas as pessoas. Atualmente, fatores como doença cardiovascular, insuficiência cardíaca, doença renal, obesidade, nível inicial da hemoglobina glicada e risco de hipoglicemia podem fazer com que outros medicamentos sejam introduzidos desde o começo ou utilizados em associação.

Quais são os efeitos colaterais mais comuns?
Os efeitos adversos mais frequentes da metformina acontecem no aparelho digestivo, principalmente no início do tratamento ou após aumento da dose. Para muitas pessoas, esses sintomas diminuem conforme o organismo se adapta ao medicamento.
Os desconfortos mais relatados incluem:
- diarreia ou fezes mais amolecidas;
- náusea e, ocasionalmente, vômitos;
- dor ou desconforto abdominal;
- gases e distensão abdominal;
- alteração no paladar.
A própria diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda iniciar a metformina com doses menores e realizar aumentos progressivos quando necessário, justamente para melhorar a tolerância gastrointestinal. Formulações de liberação prolongada também podem ser consideradas pelo médico quando os sintomas digestivos dificultam o tratamento.
Por que a função dos rins e a vitamina B12 precisam ser acompanhadas?
A metformina é eliminada principalmente pelos rins. Por isso, a função renal precisa ser considerada antes e durante o tratamento. Quando a capacidade dos rins de filtrar o sangue está muito reduzida, o medicamento pode se acumular no organismo e aumentar o risco de acidose láctica, uma complicação rara, porém potencialmente grave.
O uso prolongado também está associado a maior risco de deficiência de vitamina B12. A diretriz brasileira recomenda acompanhar esse nutriente durante tratamentos de longa duração, especialmente quando existem sintomas ou fatores que aumentem a possibilidade de deficiência. Cansaço persistente, anemia, formigamento ou alterações neurológicas devem ser comunicados ao médico para que sejam investigados adequadamente.

O que fazer quando a metformina causa muito desconforto?
Ter diarreia ou náusea nos primeiros dias não significa automaticamente que o medicamento precisa ser abandonado. Dependendo da intensidade dos sintomas, o médico pode modificar o horário de uso, ajustar a dose, fazer uma progressão mais lenta ou avaliar uma apresentação de liberação prolongada. A dose não deve ser diminuída, aumentada ou interrompida por conta própria.
Além da tolerância ao medicamento, o acompanhamento do diabetes inclui exames como glicemia, hemoglobina glicada e avaliação da função renal, além da análise de peso, alimentação, atividade física e outras doenças presentes. O tratamento deve ser individualizado, pois a escolha entre metformina e outros antidiabéticos depende do perfil e dos objetivos de cada pessoa.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. A metformina deve ser utilizada com prescrição e acompanhamento profissional, especialmente para definição da dose, avaliação dos efeitos colaterais e acompanhamento da função renal e do controle do diabetes.







