Perceber que cheiros familiares ficaram mais fracos ou que os alimentos parecem ter perdido parte do sabor pode acontecer por motivos comuns, como infecções respiratórias, rinite, sinusite, envelhecimento ou uso de alguns medicamentos. Em alguns casos, porém, alterações persistentes no olfato também podem surgir precocemente em doenças neurológicas como Parkinson e Alzheimer. Isso não significa que perder o olfato ou o paladar seja suficiente para diagnosticar qualquer uma dessas condições.
Por que olfato e paladar podem mudar em doenças neurológicas?
O olfato depende de receptores localizados no nariz e de várias regiões do cérebro responsáveis por identificar e interpretar os cheiros. Algumas doenças neurodegenerativas podem afetar precocemente partes desse sistema, fazendo com que a pessoa tenha dificuldade para perceber ou reconhecer aromas antes mesmo de apresentar os sintomas mais conhecidos da doença.
Uma revisão recente sobre alterações olfatórias na doença de Parkinson descreve a perda ou redução do olfato como um dos sintomas não motores que podem aparecer antes das alterações de movimento. Ainda assim, os pesquisadores reforçam que testes de olfato fazem parte de uma avaliação mais ampla e não estabelecem o diagnóstico isoladamente.
Qual é a relação entre perda de olfato e Parkinson?
No Parkinson, alterações no olfato podem aparecer anos antes de sintomas como tremor, rigidez e lentidão dos movimentos. A pessoa pode perceber menos alguns odores ou ter dificuldade para identificar cheiros conhecidos, muitas vezes sem notar imediatamente que o sentido está diminuindo.
Esse sinal é estudado justamente porque pode ocorrer durante a fase chamada prodrômica, anterior às manifestações motoras mais características. No entanto, a grande quantidade de outras causas de perda de olfato impede que esse sintoma seja usado sozinho para prever quem desenvolverá Parkinson.

E o que acontece no Alzheimer?
No Alzheimer, pesquisas também identificam alterações principalmente na capacidade de reconhecer e identificar cheiros. Uma revisão sistemática e meta-análise sobre olfato e doença de Alzheimer encontrou comprometimento importante da identificação de odores e destacou o potencial dos testes olfatórios como complemento da investigação precoce.
Essas alterações podem estar relacionadas ao envolvimento de regiões cerebrais ligadas simultaneamente à memória e ao processamento dos cheiros. Mesmo assim, dificuldades olfatórias são apenas uma peça do quadro clínico. O diagnóstico de Alzheimer depende da história médica, avaliação cognitiva e, quando indicado, outros exames.
Alteração no paladar também pode vir do olfato?
Sim. Grande parte daquilo que chamamos de “sabor” resulta da combinação entre o paladar da língua e os aromas percebidos pelo nariz durante a mastigação. Por isso, uma redução do olfato pode fazer com que a comida pareça sem gosto, mesmo quando a capacidade de perceber doce, salgado, azedo, amargo e umami continua preservada.
Antes de pensar em uma causa neurológica, é importante considerar situações bem mais frequentes, como:
- gripes, resfriados e outras infecções respiratórias;
- rinite, sinusite e pólipos nasais;
- alterações persistentes depois de infecções virais;
- tabagismo;
- efeitos de determinados medicamentos;
- traumatismo craniano;
- redução gradual do olfato associada ao envelhecimento.
Uma explicação mais ampla sobre essas possibilidades está no conteúdo sobre perda de olfato e suas principais causas.

Quando uma mudança no olfato ou paladar deve ser investigada?
Vale procurar avaliação médica quando a alteração persiste por várias semanas sem uma explicação clara, piora progressivamente ou começa a prejudicar alimentação, peso ou segurança no cotidiano. A investigação também ganha importância quando surgem outros sinais, como tremor, rigidez, lentidão dos movimentos, mudanças de memória, confusão ou dificuldade para realizar tarefas habituais.
Dependendo do caso, a avaliação pode começar com clínico geral ou otorrinolaringologista e envolver um neurologista quando houver suspeita de comprometimento do sistema nervoso. Uma alteração isolada no olfato ou paladar não confirma Parkinson, Alzheimer nem outra doença neurológica, e somente uma avaliação médica pode identificar a causa adequada.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento realizado por um médico.








