Emagrecer depois dos 55 anos pode trazer benefícios metabólicos, mas também levanta uma preocupação: parte do peso perdido pode vir da massa livre de gordura, que inclui os músculos. Um ensaio clínico publicado em setembro de 2026 testou justamente se uma ingestão maior de proteína ajudaria nesse cenário. Em homens com obesidade e pré-diabetes, a dieta com 1,4 g de proteína por kg ao dia mostrou sinais de melhor preservação da massa livre de gordura durante um programa de emagrecimento com exercício.
Como foi feito o estudo?
O ensaio piloto randomizado incluiu 64 homens com mais de 55 anos, obesidade e pré-diabetes. Todos participaram de um programa com dieta hipocalórica e exercícios, mas foram divididos em dois grupos conforme a quantidade diária de proteína.
O ensaio publicado na revista Current Developments in Nutrition comparou uma ingestão de 0,8 g de proteína por kg de peso corporal ao dia com uma estratégia de 1,4 g/kg/dia, distribuída com cerca de 30 g de proteína de alta qualidade em quatro momentos do dia.
O grupo com mais proteína preservou melhor a massa magra?
Depois de seis meses, os pesquisadores observaram melhor preservação da massa livre de gordura no grupo que consumiu mais proteína. Esse grupo também apresentou maior perda de peso e melhor desempenho em algumas medidas de função física ao longo do acompanhamento.
É importante fazer uma distinção: massa livre de gordura não é exatamente o mesmo que massa muscular, porque inclui outros componentes do corpo além do músculo. Ainda assim, o resultado é relevante porque a perda desse tecido durante dietas para emagrecer é uma preocupação especialmente importante com o avanço da idade.

Por que perder músculo durante o emagrecimento merece atenção?
Com o envelhecimento, já existe uma tendência natural de redução de massa e força muscular. Quando uma pessoa mais velha entra em déficit calórico para perder peso, parte da perda pode atingir também tecidos que se deseja preservar.
Essa questão ganha importância porque massa e força muscular estão relacionadas à mobilidade, independência e capacidade de realizar atividades do dia a dia. Estratégias que combinam ingestão adequada de proteína e exercícios, principalmente de resistência, são usadas justamente para tentar reduzir essa perda durante o emagrecimento.
Isso significa que todo mundo depois dos 55 precisa comer 1,4 g/kg?
Não. O estudo foi pequeno, piloto e realizado apenas com homens veteranos que tinham obesidade e pré-diabetes. Portanto, não é possível assumir que a mesma quantidade seja ideal para mulheres, pessoas sem pré-diabetes ou qualquer adulto acima de 55 anos.
Além disso, a necessidade de proteína depende de fatores como peso, nível de atividade física, ingestão calórica, estado nutricional e presença de doenças. Pessoas com algumas condições renais, por exemplo, podem precisar de uma avaliação específica antes de aumentar a ingestão proteica.

Mais proteína precisa vir de suplemento?
Não necessariamente. A proteína pode vir de alimentos como carnes, peixes, ovos, leite e derivados, feijão e outras leguminosas. Suplementos podem ser úteis em situações específicas, mas não são obrigatórios apenas porque a pessoa está tentando preservar massa muscular.
O uso de suplementos de proteína em pessoas mais velhas deve considerar quanto já é consumido pela alimentação, o estado de saúde e a prática de exercícios. O próprio estudo não mostra que aumentar proteína isoladamente resolva a perda muscular, já que os participantes também fizeram exercícios e seguiram uma dieta estruturada.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista. Pessoas com mais de 55 anos, pré-diabetes, doença renal ou que estejam planejando emagrecer devem receber orientação individualizada antes de aumentar significativamente a ingestão de proteína.








