O omeprazol é importante para tratar refluxo, gastrite associada a algumas condições e outras doenças relacionadas ao excesso de ácido no estômago. O problema é que, quando usado continuamente por meses ou anos, alguns estudos observacionais encontram associação com deficiência de vitamina B12, alterações do magnésio, fraturas e certas infecções intestinais. Isso não significa que todas as pessoas terão esses problemas nem que o medicamento deva ser suspenso por conta própria.
Por que o uso prolongado do omeprazol merece acompanhamento?
O omeprazol pertence aos inibidores da bomba de prótons, ou IBP, medicamentos que reduzem intensamente a produção de ácido no estômago. Essa ação é justamente o que torna o remédio eficaz, mas a acidez gástrica também participa da absorção de alguns nutrientes e funciona como uma barreira contra determinados microrganismos.
Por isso, quem utiliza omeprazol por longos períodos deve ter a necessidade do tratamento reavaliada periodicamente. Em algumas doenças, o uso contínuo é realmente indicado e os benefícios podem superar os riscos potenciais.
O omeprazol pode favorecer deficiência de vitamina B12 e magnésio?
Há evidências de associação. Um estudo caso-controle publicado no JAMA em 2013, que avaliou mais de 200 mil pessoas, encontrou associação entre o uso de inibidores da bomba de prótons por dois anos ou mais e maior ocorrência de deficiência de vitamina B12. A redução da acidez pode dificultar a liberação da vitamina presente nos alimentos.
O magnésio também merece atenção. Uma metanálise de estudos observacionais publicada em 2015 encontrou maior frequência de hipomagnesemia entre usuários de IBP. Essas associações não significam que todo usuário precise tomar suplementos. Exames e reposição devem ser definidos conforme sintomas, tempo de uso, outros medicamentos e fatores de risco individuais.

Existe relação entre uso prolongado e fraturas?
Estudos observacionais também associam o uso prolongado de IBP a um aumento discreto no risco de fraturas, principalmente de quadril, coluna e punho. Uma metanálise publicada no American Journal of Medicine reuniu 11 estudos internacionais e encontrou associação entre o uso desses medicamentos e maior ocorrência de algumas fraturas.
Isso não permite afirmar que o omeprazol seja a causa direta. Idade avançada, osteoporose, uso de corticoides, alimentação, tabagismo e outras doenças também interferem no risco ósseo. A preocupação costuma ser maior quando o medicamento é usado por mais de um ano, especialmente em pessoas que já apresentam fatores de risco para fraturas.
Por que algumas infecções intestinais também entram nessa discussão?
O ácido do estômago ajuda a impedir que alguns microrganismos ingeridos sobrevivam até chegar ao intestino. Ao reduzir essa barreira, os IBP podem favorecer determinadas infecções gastrointestinais em pessoas suscetíveis. Estudos associam seu uso, por exemplo, à infecção por Clostridioides difficile, principalmente quando existem outros fatores de risco, como internação recente ou uso de antibióticos.
Entre os possíveis problemas relacionados ao uso prolongado que podem ser considerados pelo médico estão:
- deficiência de vitamina B12;
- redução importante do magnésio no sangue;
- maior risco de fraturas em pessoas predispostas;
- algumas infecções gastrointestinais;
- necessidade de manter uma dose maior do que realmente seria necessária.

Quem toma omeprazol há anos deve parar?
Não. O omeprazol não deve ser interrompido de forma abrupta sem orientação médica. Após uso prolongado, a suspensão pode provocar aumento temporário da produção de ácido e piora de azia ou refluxo, o que pode levar a pessoa a acreditar que precisa necessariamente do medicamento para sempre.
O mais adequado é revisar por que o tratamento foi iniciado, se a indicação continua válida e qual é a menor dose eficaz. Em alguns casos, o médico pode manter o uso contínuo; em outros, pode reduzir a dose ou planejar uma retirada gradual. Pessoas com refluxo frequente, esofagite ou outras condições digestivas também podem precisar de acompanhamento específico antes de qualquer mudança.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Quem utiliza omeprazol continuamente há meses ou anos deve conversar com o médico antes de reduzir, trocar ou suspender o medicamento.








