Diante de uma picada de cobra, o instinto de muita gente ainda é chupar a ferida ou amarrar o membro para tentar impedir o veneno de circular. Essas práticas antigas, no entanto, não retiram o veneno e podem agravar seriamente as lesões, aumentando o risco de necrose e amputação. Segundo especialistas do Ministério da Saúde e do Instituto Butantan, a conduta correta envolve calma, imobilização e busca rápida por atendimento médico com soro antiofídico.
Por que o torniquete é uma prática arriscada?
O torniquete, também chamado de garrote, é a amarração apertada de um membro na tentativa de bloquear a circulação e impedir o avanço do veneno. Na prática, essa manobra reduz o fluxo sanguíneo local, agrava o inchaço e concentra as toxinas em uma área menor.
O resultado é um risco maior de necrose dos tecidos, síndrome compartimental e, em casos graves, amputação do membro afetado. Especialistas orientam que essa prática está formalmente contraindicada em qualquer acidente com envenenamento por animais peçonhentos.
Chupar ou cortar o local da picada realmente ajuda?
Chupar a ferida ou fazer cortes na tentativa de expelir o veneno é uma cena comum em filmes, mas não tem respaldo científico. O veneno se espalha rapidamente pelo sistema linfático e pela corrente sanguínea, sendo praticamente impossível removê-lo pela boca ou por incisões.
Além de ineficazes, essas manobras aumentam o risco de infecções bacterianas, hemorragias e lesões mais profundas nos tecidos. Aplicar gelo, álcool, café, folhas ou pomadas caseiras no ferimento também está entre as práticas contraindicadas.

O que a ciência diz sobre os primeiros socorros em picadas de cobra?
Estudos internacionais reforçam por que essas medidas antigas devem ser abandonadas. Segundo a revisão First Aid and Pre-Hospital Management of Venomous Snakebites, revisão científica por pares publicada no periódico Tropical Medicine and Infectious Disease e indexada no PubMed, torniquetes, incisões, sucção do local da picada e uso de dispositivos de aspiração podem causar complicações significativas e agravar o quadro clínico.
Os autores concluem que as principais orientações internacionais recomendam manter a vítima calma, imobilizar o membro e transportá-la o quanto antes para um serviço com soro antiofídico, considerado o único tratamento eficaz para o envenenamento.
Quais são as condutas corretas diante de uma picada?
De acordo com o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan, as ações corretas priorizam a estabilização da vítima e o acesso rápido ao hospital. Os primeiros socorros indicados incluem:
- Manter a calma da vítima e de quem está ajudando, evitando agitação que acelera a circulação.
- Colocar a pessoa em repouso, com o membro atingido imobilizado e na posição horizontal.
- Retirar anéis, pulseiras ou calçados apertados, para prevenir compressões caso o local inche.
- Lavar o local da picada com água e sabão, sem esfregar ou pressionar.
- Manter a vítima hidratada, oferecendo água em pequenas quantidades, se estiver consciente.
- Fotografar a cobra a distância, se possível, para ajudar na identificação, sem tentar capturá-la.
- Chamar o SAMU 192 ou levar a pessoa imediatamente ao hospital de referência mais próximo.
As mesmas orientações valem, com adaptações, para outros acidentes graves, como os primeiros socorros em caso de picada de aranha.

Por que o soro antiofídico é tão importante?
O soro antiofídico é o único tratamento eficaz para neutralizar o veneno inoculado pela cobra e é fornecido gratuitamente pelo SUS em hospitais de referência. Quanto mais rápida a administração, menores são os riscos de complicações, sequelas e óbito.
O médico avalia os sintomas para identificar o tipo de acidente e definir o soro adequado, seja antibotrópico, anticrotálico, antilaquético ou antielapídico. Reforçar a divulgação de primeiros socorros corretos ajuda a evitar condutas que atrasam o atendimento e comprometem a recuperação.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Em caso de picada de cobra ou de qualquer animal peçonhento, procure imediatamente o serviço médico mais próximo ou ligue para o SAMU 192.








