Ter tomado uma vacina pneumocócica anteriormente não significa que todas as doses futuras sejam desnecessárias. Existem diferentes vacinas contra o pneumococo, com tecnologias e números de sorotipos distintos. Em algumas situações, outra vacina pode ser indicada para ampliar ou complementar a proteção. O esquema correto depende principalmente da idade, das doses já recebidas e da presença de condições que aumentam o risco de doença pneumocócica grave.
Por que existem diferentes vacinas pneumocócicas?
O Streptococcus pneumoniae possui muitos sorotipos capazes de provocar doenças. Por isso, foram desenvolvidas vacinas que abrangem conjuntos diferentes deles, como a VPC10, VPC13, VPC15, VPC20 e a VPP23. Quanto maior o número no nome, maior é a quantidade de sorotipos contemplados, mas isso não significa que uma vacina possa simplesmente substituir qualquer outra em todos os esquemas.
As vacinas pneumocócicas ajudam a prevenir formas graves da doença pneumocócica, incluindo pneumonia, meningite e infecção da corrente sanguínea. Em 2026, o Ministério da Saúde iniciou a introdução da VPC20 no SUS e a transição de alguns esquemas anteriormente realizados com VPC10, VPC13 e VPP23.
Qual é a diferença entre vacina conjugada e polissacarídica?
As vacinas conjugadas, como VPC15 e VPC20, ligam componentes da cápsula do pneumococo a uma proteína. Essa tecnologia produz uma resposta imunológica dependente de células T e favorece memória imunológica. Já a VPP23 contém polissacarídeos de 23 sorotipos sem essa conjugação proteica e provoca uma resposta imunológica diferente.
Por esse motivo, conjugadas e polissacarídicas não são simplesmente intercambiáveis. Historicamente, alguns grupos de maior risco receberam esquemas sequenciais com uma vacina conjugada e posteriormente a VPP23. Com a chegada de vacinas conjugadas de maior valência, como a pneumo 20, essas recomendações estão sendo atualizadas.

Por que alguém pode precisar de outra vacina pneumocócica?
A indicação de uma dose adicional pode ocorrer por diferentes razões:
- ampliar a cobertura de sorotipos que não estavam presentes na vacina recebida anteriormente;
- completar um esquema sequencial previsto para determinada idade ou condição clínica;
- adaptar o esquema depois da introdução de vacinas conjugadas com cobertura mais ampla;
- proteger pessoas com maior risco de doença pneumocócica invasiva;
- considerar doses recebidas no passado, já que o intervalo e a ordem das vacinas interferem na recomendação;
- seguir mudanças do calendário de vacinação conforme novas evidências e imunizantes se tornam disponíveis.
Isso explica por que duas pessoas da mesma idade podem receber orientações diferentes. Apenas saber que alguém já tomou uma “vacina da pneumonia” não é suficiente para definir se o esquema está completo.
O que os estudos mostram sobre os esquemas sequenciais?
Pesquisas imunológicas ajudam a explicar por que a ordem das vacinas já foi considerada importante em determinados esquemas:
- vacinas conjugadas estimulam uma resposta imunológica diferente das polissacarídicas;
- a administração de uma vacina pode influenciar a resposta à dose seguinte;
- o intervalo entre as doses também pode modificar a resposta imunológica;
- as recomendações precisam considerar qual vacina foi aplicada primeiro;
- novas vacinas de maior valência podem modificar esquemas utilizados anteriormente.
Segundo o estudo Sequential administration of 13-valent pneumococcal conjugate vaccine and 23-valent pneumococcal polysaccharide vaccine in pneumococcal vaccine-naïve adults 60-64 years of age, publicado na revista científica Vaccine, pesquisadores avaliaram diferentes sequências de VPC13 e VPP23 em 720 adultos. O estudo mostrou que a ordem de administração influenciou a resposta de anticorpos, reforçando que essas vacinas não devem ser consideradas simplesmente equivalentes ou intercambiáveis.
Para entender melhor uma das principais doenças que as vacinas pneumocócicas ajudam a prevenir, veja também este conteúdo do canal oficial do Tua Saúde.
Como saber qual vacina pneumocócica tomar agora?
Não existe um único esquema adequado para todas as pessoas. A recomendação considera idade, histórico completo de vacinação e presença de condições como imunossupressão, ausência ou funcionamento reduzido do baço, doenças crônicas e outras situações que aumentam o risco de infecção pneumocócica grave.
O Ministério da Saúde passou a utilizar a VPC20 em determinados grupos e estabeleceu regras de transição para pessoas previamente vacinadas. A pneumo 23 também continua fazendo parte de determinadas indicações durante essa transição. Por isso, não é recomendado escolher uma nova dose apenas pela quantidade de sorotipos no nome da vacina. Levar a caderneta ou o registro das doses anteriores a uma unidade de vacinação permite definir o esquema correto. Em caso de dúvida, especialmente para pessoas com doenças crônicas ou imunidade comprometida, é recomendado buscar orientação médica profissional.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, indicação individual de vacinação ou acompanhamento realizado por médico ou outro profissional de saúde qualificado.








