Chutar dormindo, socar o ar, gritar ou até pular da cama enquanto sonha pode ser mais do que uma noite agitada. Durante o sono REM, fase em que os sonhos costumam ser mais vívidos, o corpo normalmente reduz muito os movimentos. Quando esse bloqueio muscular não funciona adequadamente, a pessoa pode acabar reproduzindo fisicamente o que acontece no sonho.
Por que o corpo normalmente não acompanha os sonhos
Durante o sono REM, o cérebro mantém os músculos dos braços e das pernas temporariamente relaxados, fenômeno chamado atonia muscular. Esse mecanismo impede que a maioria dos movimentos imaginados durante os sonhos seja realizada de verdade.
Segundo a Mayo Clinic, no transtorno comportamental do sono REM esse mecanismo deixa de funcionar como deveria. A pessoa pode então chutar, socar, agitar os braços, falar ou gritar enquanto está sonhando.
Quais comportamentos merecem atenção

Um movimento isolado durante o sono não confirma um distúrbio. O que chama mais atenção é a repetição de comportamentos intensos, especialmente quando parecem acompanhar o conteúdo dos sonhos.
- Chutar dormindo ou dar socos repetidamente;
- gritar, falar alto ou xingar durante o sonho;
- movimentar braços e pernas de forma brusca;
- cair ou pular para fora da cama;
- machucar a si mesmo ou quem dorme ao lado;
- lembrar de um sonho relacionado ao movimento ao despertar.
Outras condições, como apneia do sono, sonambulismo, crises epilépticas noturnas e alguns medicamentos, podem provocar manifestações semelhantes. Por isso, os episódios precisam ser avaliados antes de receberem um diagnóstico.
O que uma revisão científica mostra sobre o sono REM
Segundo a revisão REM sleep behavior disorder: update on diagnosis and management, publicada nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria em 2023, o transtorno é caracterizado pela perda da atonia muscular do sono REM associada à encenação dos sonhos.
A revisão científica destaca que a investigação deve incluir a descrição detalhada dos episódios e, quando possível, relatos de quem divide o quarto ou vídeos feitos em casa. A polissonografia é importante para confirmar a perda da atonia e excluir outras causas de movimentos durante o sono.
Como diminuir o risco de machucados
Enquanto os episódios estão sendo investigados, tornar o quarto mais seguro é uma medida importante, principalmente quando existem movimentos fortes ou quedas.
- Retire objetos cortantes ou quebráveis próximos à cama;
- afaste móveis com quinas da área de dormir;
- proteja bordas e cabeceiras que possam causar ferimentos;
- mantenha o chão ao lado da cama livre de obstáculos;
- considere medidas adicionais de proteção se os episódios forem intensos.
Quem apresenta alterações recorrentes também pode conhecer outros distúrbios do sono, mas medidas de segurança não substituem a investigação médica.

Quando procurar um médico do sono
Procure avaliação se chutar dormindo, socar ou gritar ocorre repetidamente, está ficando mais intenso ou já provocou quedas, ferimentos ou agressões involuntárias contra quem dorme ao lado. Episódios novos na vida adulta também merecem atenção.
Um médico do sono ou neurologista pode avaliar o padrão dos movimentos, medicamentos em uso e outros sintomas e decidir se há necessidade de polissonografia. Procurar ajuda permite diferenciar esse quadro de outras condições que também causam agitação noturna.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









