A água com gás hidrata o organismo de forma semelhante à água sem gás e pode fazer parte do consumo diário de líquidos. A principal diferença está na presença de dióxido de carbono, responsável pelas bolhas e capaz de provocar sensação de estômago cheio, arrotos ou desconforto em algumas pessoas. Para quem tem refluxo, gastrite ou maior sensibilidade digestiva, a água natural costuma ser a alternativa mais confortável.
Água com gás hidrata tanto quanto água sem gás?
Sim. A carbonatação não retira a capacidade de hidratação da água. Por isso, uma água com gás simples, sem açúcar ou outros ingredientes adicionados, também contribui para a reposição diária de líquidos.
Na prática, a melhor escolha é aquela que facilita beber água regularmente. Algumas pessoas acham a versão gaseificada mais agradável e passam a consumir mais líquidos, enquanto outras sentem estufamento e preferem a água natural. Vale também observar o rótulo, já que o teor de sódio pode variar entre as marcas.
O gás aumenta a saciedade e interfere na digestão?
O dióxido de carbono aumenta temporariamente o volume dentro do estômago e pode provocar sensação de plenitude, embora isso não signifique necessariamente redução do apetite ou emagrecimento. Estudos sobre saciedade ainda apresentam resultados variados e não justificam usar água gaseificada como estratégia isolada para comer menos.
Os efeitos digestivos também não são iguais para todos. Enquanto algumas pessoas apresentam arrotos e distensão abdominal, um pequeno ensaio clínico encontrou melhora de sintomas de dispepsia e constipação com água gaseificada. Portanto, a tolerância individual é importante para decidir qual opção consumir regularmente.

Quais são os principais benefícios e desconfortos?
As duas versões hidratam, mas a presença do gás modifica principalmente a experiência gastrointestinal:
- Hidratação: tanto a água com gás quanto a sem gás contribuem para a reposição de líquidos.
- Sensação de estômago cheio: as bolhas podem aumentar temporariamente a plenitude após o consumo.
- Arrotos e distensão: são mais frequentes com água gaseificada, principalmente quando grandes volumes são ingeridos rapidamente.
- Digestão: algumas pessoas relatam desconforto, enquanto estudos pequenos sugerem possível melhora da dispepsia e da constipação em determinados pacientes.
- Substituição de refrigerantes: água gaseificada sem açúcar pode ser uma alternativa para quem deseja reduzir bebidas açucaradas.
Estudo mostra que o gás não é responsável pela perda de cálcio
Segundo o estudo Colas, but not other carbonated beverages, are associated with low bone mineral density in older women, publicado no The American Journal of Clinical Nutrition, o consumo de refrigerantes do tipo cola foi associado à menor densidade mineral óssea em mulheres, mas essa associação não apareceu para outras bebidas gaseificadas. Os resultados ajudam a separar os efeitos da água gaseificada daqueles relacionados à composição dos refrigerantes, como ácido fosfórico, cafeína e padrões alimentares associados.
Assim, a ideia de que a água com gás simplesmente “descalcifica os ossos” não encontra respaldo nessa literatura. A carbonatação, por si só, não demonstrou causar perda de cálcio ósseo. Refrigerante de cola e água gaseificada não devem ser tratados como equivalentes apenas porque ambos possuem bolhas.

Quem deve preferir água sem gás?
A água natural pode ser melhor tolerada quando o gás aumenta sintomas gastrointestinais ou causa desconforto frequente:
- Pessoas com refluxo: a carbonatação pode provocar distensão, arrotos e piora individual da azia, embora uma revisão sistemática não tenha demonstrado que bebidas gaseificadas causem diretamente a doença.
- Pessoas com gastrite ou dispepsia sensível: se a bebida provocar queimação, estufamento ou dor, a versão sem gás tende a ser mais confortável.
- Gestantes com refluxo: como azia e sensação de estômago cheio são frequentes na gravidez, retirar o gás pode diminuir desconfortos em quem percebe piora após o consumo.
- Pessoas com muitos gases: reduzir bebidas gaseificadas pode ajudar a controlar arrotos e distensão abdominal.
- Quem apresenta sintomas após beber: a tolerância individual deve orientar a escolha, mesmo quando não existe contraindicação absoluta.
Quem convive com refluxo gastroesofágico não precisa necessariamente eliminar a água com gás se ela não desencadear sintomas. Uma revisão sistemática publicada na Alimentary Pharmacology & Therapeutics não encontrou evidências diretas consistentes de que a carbonatação provoque ou agrave a doença em todas as pessoas. Ainda assim, quem percebe piora de azia, dor ou estufamento deve priorizar água sem gás e buscar orientação médica para avaliar sintomas persistentes.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação médica. Pessoas com refluxo frequente, gastrite, dificuldade para engolir, dor abdominal persistente ou outros sintomas digestivos devem procurar orientação de um médico ou gastroenterologista.









