Sentir o coração acelerado sem uma causa aparente nem sempre é apenas ansiedade. Palpitações podem ocorrer por estresse, cafeína, exercício ou emoções intensas, mas episódios frequentes, especialmente em repouso, também podem estar relacionados a arritmias como fibrilação atrial, taquicardias supraventriculares ou extrassístoles. Observar como o sintoma começa, quanto tempo dura e se vem acompanhado de falta de ar, tontura ou desmaio ajuda a definir quando é necessário investigar o ritmo do coração.
Como diferenciar ansiedade de uma possível arritmia?
Na ansiedade, a aceleração dos batimentos costuma aparecer junto de preocupação, medo, respiração rápida, tremores ou sensação de tensão e tende a diminuir conforme o organismo relaxa. Mesmo assim, apenas os sintomas nem sempre permitem determinar a origem da palpitação, pois ansiedade e arritmia podem produzir sensações semelhantes.
Uma palpitação que começa e termina subitamente, ocorre sem gatilho evidente, aparece durante o repouso ou vem acompanhada da sensação de ritmo irregular merece avaliação. O eletrocardiograma pode identificar algumas alterações, mas arritmias intermitentes podem não estar presentes durante os poucos segundos em que o exame é realizado.
O que é fibrilação atrial e por que ela merece atenção?
A fibrilação atrial é uma arritmia em que a atividade elétrica dos átrios fica desorganizada, fazendo com que o coração bata de maneira irregular. Segundo a Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial de 2025, trata-se da arritmia sustentada mais comum na prática clínica e sua frequência aumenta com a idade.
Algumas pessoas percebem palpitações, cansaço, falta de ar ou menor tolerância aos esforços, enquanto outras não apresentam sintomas. A ausência de desconforto não significa ausência de risco, por isso o diagnóstico adequado é importante principalmente em pessoas com fatores cardiovasculares associados.

Quais sinais aumentam a suspeita de arritmia?
Algumas características tornam especialmente importante conversar com um médico sobre as palpitações:
- episódios recorrentes em repouso: principalmente quando não existe ansiedade ou esforço evidente;
- ritmo muito irregular: sensação de batimentos desordenados ou falhas repetidas;
- início e fim repentinos: o coração acelera de forma abrupta e depois retorna ao normal;
- tontura ou sensação de desmaio: podem indicar redução temporária do fluxo de sangue;
- falta de ar ou dor no peito: exigem maior atenção, especialmente quando surgem junto da palpitação;
- histórico cardíaco: hipertensão, insuficiência cardíaca e outras doenças cardiovasculares aumentam a necessidade de investigação.
Estudo mostra por que a fibrilação atrial aumenta o risco de AVC
Um importante estudo de acompanhamento demonstrou que a fibrilação atrial não deve ser ignorada mesmo quando os sintomas são discretos. Segundo o Atrial fibrillation as an independent risk factor for stroke, publicado na revista científica Stroke com dados do Framingham Heart Study, a fibrilação atrial foi identificada como fator de risco independente para acidente vascular cerebral.
Isso ocorre porque o ritmo desorganizado dos átrios pode favorecer a formação de coágulos dentro do coração. Se um deles atingir a circulação cerebral, pode provocar um AVC. A Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial de 2025 recomenda que o risco tromboembólico seja avaliado individualmente, pois alguns pacientes podem precisar de medicamentos anticoagulantes para reduzir essa possibilidade.

Quando o Holter 24 horas pode ser necessário?
A investigação das palpitações começa pela história clínica, exame físico e, frequentemente, eletrocardiograma. Quando os episódios aparecem e desaparecem, o médico pode solicitar monitorização do ritmo durante períodos maiores:
- Holter 24 horas: registra continuamente a atividade elétrica do coração durante as atividades habituais e o sono;
- monitorização prolongada: pode ser utilizada quando os episódios são pouco frequentes e não aparecem em 24 horas;
- registro dos sintomas: anotar horário, duração e atividade realizada ajuda a comparar a palpitação com o ritmo registrado;
- outros exames: exames de sangue, ecocardiograma ou testes adicionais podem ser indicados conforme a suspeita clínica.
O Holter é especialmente útil quando existe suspeita de uma alteração intermitente, mas um resultado normal em 24 horas não exclui todas as arritmias se a pessoa não apresentou sintomas naquele período. Dependendo da frequência das crises, o cardiologista pode optar por métodos que registram o ritmo por vários dias.
Palpitação acompanhada de desmaio, dor forte no peito, falta de ar importante, fraqueza intensa ou sintomas neurológicos súbitos exige atendimento médico imediato. Episódios frequentes ou sem explicação também devem ser avaliados por um profissional para diferenciar ansiedade, alterações hormonais, efeitos de estimulantes e doenças do ritmo cardíaco.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. Se o coração acelera ou bate de forma irregular repetidamente, principalmente em repouso ou junto de outros sintomas, procure orientação médica profissional.









