Pés e tornozelos que permanecem frios ao longo do dia, mesmo em ambientes aquecidos, e uma sensação de dormência que aparece durante a caminhada nem sempre são apenas cansaço ou consequência da idade. Esse conjunto de sinais pode ser uma pista silenciosa de doença arterial periférica, condição em que as artérias das pernas ficam estreitadas por placas de gordura e reduzem a chegada de sangue oxigenado aos membros inferiores.
O que é a doença arterial periférica?
A doença arterial periférica, também conhecida como DAP ou DAOP, acontece quando as artérias que levam sangue para as pernas e os pés ficam obstruídas pelo acúmulo de placas de gordura, processo chamado de aterosclerose. Com o fluxo sanguíneo reduzido, os músculos e tecidos passam a receber menos oxigênio, especialmente durante o esforço.
Essa dificuldade de irrigação explica sintomas como sensação de frio nos pés, palidez, dormência e a dor característica que aparece ao caminhar. Nos estágios iniciais, a doença arterial periférica pode ser silenciosa e ser confundida com fadiga, sedentarismo ou envelhecimento natural.
Por que mulheres na pós-menopausa têm risco aumentado?
Após a menopausa, a queda dos níveis de estrogênio compromete a proteção natural que os hormônios femininos oferecem ao sistema cardiovascular, favorecendo o acúmulo de placas de gordura nas artérias. Somam-se a isso alterações no perfil lipídico, tendência ao ganho de peso e aumento da pressão arterial.
Nessa faixa etária, os sintomas costumam ser subestimados ou atribuídos ao envelhecimento, atrasando o diagnóstico e permitindo que a doença progrida. Mulheres pós-menopausa com histórico familiar de doença cardiovascular merecem atenção redobrada aos sinais nos membros inferiores.

Quais sinais associados merecem atenção?
Além dos pés frios e da dormência, outros sintomas ajudam a levantar a suspeita de doença arterial periférica e não devem ser normalizados, principalmente quando aparecem em conjunto e evoluem ao longo do tempo. Os principais sinais associados são:
- Dor ou cãibra nas pernas ao caminhar que melhora ao parar, conhecida como claudicação intermitente
- Palidez ou coloração azulada nos dedos dos pés e tornozelos
- Feridas nos pés ou nas pernas que demoram para cicatrizar
- Queda de pelos nas pernas e pés
- Unhas dos pés mais frágeis, espessadas ou com crescimento lento
- Pele fina, brilhante e ressecada nas pernas
- Redução ou ausência de pulso nos pés e tornozelos
- Dor em repouso nos pés durante a noite, que melhora ao pendurar as pernas para fora da cama
O que revela um estudo científico sobre doença arterial periférica?
O reconhecimento precoce da doença arterial periférica é essencial porque a condição também sinaliza risco cardiovascular global aumentado, incluindo maior chance de infarto e acidente vascular cerebral. Segundo o estudo Prevalência e fatores de risco da doença arterial periférica sintomática e assintomática, publicado no Jornal Vascular Brasileiro e indexado no Scielo, a doença foi identificada em cerca de 60% dos pacientes avaliados em unidade hospitalar terciária, com aumento significativo entre 55 e 74 anos e predomínio feminino nos indivíduos acima dos 74 anos.
Os autores destacaram o índice tornozelo-braquial como ferramenta essencial para identificar tanto os casos sintomáticos quanto os assintomáticos, reforçando que fatores como tabagismo, hipertensão, diabetes e sobrepeso influenciam diretamente a prevalência.

Como o ultrassom doppler ajuda no diagnóstico?
O diagnóstico da doença arterial periférica combina avaliação clínica detalhada, exame físico dos pulsos periféricos e exames complementares que permitem visualizar o fluxo sanguíneo. Segundo orientações da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), os principais exames utilizados são:
- Índice tornozelo-braquial, que compara a pressão arterial no tornozelo e no braço
- Ultrassom doppler arterial dos membros inferiores, que avalia o fluxo sanguíneo e localiza obstruções
- Angiotomografia, indicada para mapeamento detalhado das artérias antes de procedimentos
- Arteriografia, reservada para casos que exigem intervenção cirúrgica ou endovascular
- Exames laboratoriais, como perfil lipídico, glicemia e função renal, para avaliar fatores de risco associados
O tratamento envolve controle rigoroso dos fatores de risco, prática regular de atividade física supervisionada, uso de medicamentos indicados pelo especialista e, em casos selecionados, procedimentos cirúrgicos ou endovasculares. Como a DAP compartilha causas com outras doenças cardiovasculares, é comum sua associação com sinais de aterosclerose em outras regiões do corpo. Diante de pés frios persistentes, dormência ou dor ao caminhar, é fundamental procurar um angiologista ou cirurgião vascular para investigação adequada e definição do tratamento mais indicado.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Sempre consulte um médico diante de sintomas persistentes.









