O colesterol do ovo voltou ao centro das discussões sobre saúde cardiovascular, mas um ensaio clínico recente sugere que ele pode não ser o principal responsável pelo aumento do LDL. A gordura saturada da dieta, especialmente quando vem de frituras, embutidos, manteiga e ultraprocessados, parece pesar mais nesse efeito.
Por que o ovo gera dúvida
O ovo é rico em proteínas, vitaminas e minerais, mas a gema também contém colesterol. Por muitos anos, isso levou à ideia de que comer ovos aumentaria automaticamente o colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim.
Hoje, a visão é mais cuidadosa. O impacto do ovo depende do conjunto da alimentação, do preparo e do perfil de saúde da pessoa. Um ovo cozido em uma refeição equilibrada não tem o mesmo efeito que ovos fritos com bacon, queijo gorduroso e outros alimentos ricos em gordura saturada.

O que o estudo científico mostrou
Para separar melhor esses efeitos, pesquisadores compararam dietas com diferentes quantidades de colesterol e gordura saturada. Segundo o ensaio clínico randomizado cruzado Impact of dietary cholesterol from eggs and saturated fat on LDL cholesterol levels, publicado no The American Journal of Clinical Nutrition, a gordura saturada se associou de forma mais clara ao aumento do LDL do que o colesterol alimentar.
O estudo avaliou 61 adultos e testou três dietas por 5 semanas cada: uma com 2 ovos por dia e pouca gordura saturada, outra sem ovos e com mais gordura saturada, e uma dieta controle com mais colesterol e mais gordura saturada. A dieta com ovos e baixa gordura saturada reduziu o LDL em comparação com a dieta controle, enquanto o colesterol alimentar isolado não se associou ao aumento do LDL.
O que pesa mais no prato
O achado reforça que olhar apenas para o colesterol do ovo pode desviar a atenção de fatores mais importantes. Em geral, o LDL tende a subir mais quando a alimentação é rica em gordura saturada e trans.
- Frituras: aumentam a ingestão de gordura de baixa qualidade.
- Embutidos: bacon, linguiça, salsicha e mortadela costumam ter gordura saturada e sódio.
- Queijos amarelos e manteiga: podem elevar bastante a carga de gordura saturada da refeição.
- Ultraprocessados: biscoitos recheados, salgadinhos e fast food favorecem pior perfil lipídico.
Como comer ovo com mais equilíbrio
Para muitas pessoas saudáveis, o ovo pode fazer parte de uma alimentação variada. O ponto principal é observar o modo de preparo e os acompanhamentos, além de acompanhar exames quando houver histórico de colesterol alto.
- Prefira ovo cozido, pochê ou mexido com pouco óleo.
- Combine com verduras, legumes, aveia, frutas ou pães integrais.
- Evite preparar sempre com manteiga, bacon, creme de leite ou muito queijo.
- Em caso de LDL alto, veja também cuidados gerais sobre colesterol LDL.

Quando ter mais cautela
Apesar dos resultados, o estudo não significa que todos devam comer ovos sem limite. Pessoas com hipercolesterolemia familiar, diabetes, doença cardiovascular, obesidade, síndrome metabólica ou LDL muito elevado podem precisar de orientação individualizada.
Também é importante considerar que o ensaio foi relativamente pequeno, durou poucas semanas e relatou apoio financeiro do Egg Nutrition Center para alguns autores. Por isso, o recado mais seguro é focar no padrão alimentar como um todo, reduzindo gordura saturada e priorizando alimentos naturais.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









