Dormir 7 ou 8 horas por noite é importante, mas pode não ser suficiente quando os horários de deitar e acordar mudam muito de um dia para o outro. Um estudo recente associou a falta de sono regular a maior risco de eventos cardiovasculares, como infarto, AVC e insuficiência cardíaca.
O que é sono regular
Ter sono regular significa manter horários parecidos para dormir e acordar na maioria dos dias. Essa repetição ajuda o relógio biológico a organizar funções como pressão arterial, metabolismo, temperatura corporal e liberação de hormônios.
Quando a rotina muda demais, o corpo pode funcionar como se estivesse sempre se reajustando. Esse desalinhamento pode afetar descanso, energia durante o dia e marcadores ligados à saúde do coração.

Estudo científico sobre sono regular
Segundo o estudo prospectivo Sleep regularity and major adverse cardiovascular events: a device-based prospective study in 72 269 UK adults, publicado no Journal of Epidemiology & Community Health, adultos com sono irregular tiveram maior risco de eventos cardiovasculares maiores ao longo de 8 anos de acompanhamento.
A pesquisa analisou 72.269 adultos do UK Biobank que usaram acelerômetros no pulso por 7 dias. Em comparação com quem tinha sono regular, os participantes com sono irregular apresentaram risco 26% maior de eventos cardiovasculares maiores, mesmo após ajustes para fatores como atividade física, tabagismo, álcool, dieta e uso de medicamentos.
O que conta como sono irregular
A irregularidade não é apenas dormir pouco. Ela envolve mudanças frequentes no horário e na duração do sono, criando uma rotina difícil para o corpo prever.
- Dormir e acordar em horários muito diferentes ao longo da semana;
- Compensar a falta de sono dormindo muito mais no fim de semana;
- Alternar noites curtas e noites longas com frequência;
- Trabalhar em turnos ou trocar o horário de sono constantemente;
- Usar telas, cafeína ou refeições pesadas tarde da noite, prejudicando o ritmo.
Dormir bastante nem sempre compensa
Um ponto importante do estudo é que atingir a duração recomendada de sono não eliminou totalmente o risco entre pessoas com sono muito irregular. Ou seja, dormir horas suficientes pode não compensar completamente a falta de rotina.
Isso não significa que a duração deixou de importar. O ideal é combinar quantidade adequada com horários mais consistentes, especialmente para quem já tem pressão alta, diabetes, obesidade, colesterol alto ou histórico familiar de doença cardiovascular.

Como ajustar a rotina
Pequenas mudanças podem ajudar a criar previsibilidade para o organismo. A meta não precisa ser perfeita, mas deve buscar mais consistência na maior parte dos dias.
- Escolha um horário realista para dormir e acordar;
- Mantenha diferença pequena entre semana e fim de semana;
- Evite cafeína no fim do dia se ela atrapalha seu sono;
- Reduza luz forte e telas perto da hora de dormir;
- Veja também estratégias para melhorar a rotina de sono.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, cardiologista, especialista em sono ou outro profissional de saúde qualificado.









