O lenacapavir é uma nova opção de prevenção contra o HIV aplicada por injeção apenas duas vezes ao ano. A recomendação da Organização Mundial da Saúde chama atenção porque pode facilitar a proteção de pessoas com maior risco de exposição, especialmente quando o uso diário de comprimidos é difícil de manter.
O que é lenacapavir
O lenacapavir é um antirretroviral de longa duração que atua contra o capsídeo do HIV, uma estrutura essencial para o vírus se multiplicar. Na prevenção, ele é usado como PrEP, ou profilaxia pré-exposição.
Diferente da PrEP oral diária, essa versão é aplicada por via subcutânea a cada 6 meses. Isso pode reduzir esquecimentos, barreiras de acesso e o estigma de tomar comprimidos todos os dias para prevenir o HIV.
Por que a OMS recomendou a injeção
A Organização Mundial da Saúde recomendou o lenacapavir injetável em julho de 2025 como uma opção adicional de PrEP, ao lado de comprimidos diários, cabotegravir injetável e anel vaginal de dapivirina.
A decisão busca ampliar as escolhas de prevenção, principalmente para pessoas que enfrentam dificuldade de adesão, discriminação ou pouco acesso regular a serviços de saúde.

O que o estudo científico mostrou
Segundo o ensaio clínico de fase 3 Twice-Yearly Lenacapavir or Daily F/TAF for HIV Prevention in Cisgender Women, publicado no New England Journal of Medicine, nenhuma infecção por HIV ocorreu entre 2.134 participantes que receberam lenacapavir a cada 26 semanas.
No mesmo estudo, foram registradas 39 infecções no grupo que usou F/TAF diário e 16 infecções no grupo que usou F/TDF diário. O resultado reforçou o potencial da injeção semestral como uma ferramenta de prevenção altamente eficaz.
Quem pode se beneficiar
O lenacapavir pode ser especialmente útil para pessoas com risco aumentado de exposição ao HIV e que têm dificuldade para manter a PrEP oral todos os dias. A escolha, no entanto, deve considerar avaliação médica, testagem e disponibilidade no sistema de saúde.
- Pessoas que esquecem comprimidos com frequência;
- Quem evita a PrEP oral por estigma ou privacidade;
- Pessoas com acesso irregular a consultas e farmácias;
- Populações com maior vulnerabilidade ao HIV.

O que ainda precisa atenção
Apesar do avanço, o lenacapavir não elimina a necessidade de acompanhamento. Antes e durante o uso, é preciso fazer testes para HIV, avaliar outras infecções sexualmente transmissíveis e receber orientação sobre prevenção combinada.
- Não protege contra outras ISTs, como sífilis e gonorreia;
- Não substitui preservativos em todas as situações;
- Pode causar reações no local da injeção;
- O acesso ainda depende de aprovação, preço e incorporação em cada país.
A grande mudança é prática: uma prevenção semestral pode tornar o cuidado mais simples e constante. Para muita gente, isso pode significar menos interrupções e mais autonomia para se proteger.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









