A vitamina K2 ficou conhecida como a vitamina que ajudaria a “tirar” cálcio das artérias, mas a ciência mostra uma história mais precisa: ela pode participar da regulação do cálcio no corpo e ajudar a reduzir a progressão da calcificação vascular em algumas pessoas. Isso não significa limpeza imediata dos vasos, nem substitui tratamento cardiológico.
Como a vitamina K2 age no cálcio
A vitamina K2, especialmente na forma MK-7, participa da ativação de proteínas que regulam onde o cálcio deve ficar. Uma delas é a proteína Gla da matriz, que ajuda a inibir depósitos de cálcio nos vasos sanguíneos.
Outra proteína dependente de vitamina K é a osteocalcina, importante para a fixação do cálcio nos ossos. Por isso, a K2 é estudada tanto em saúde óssea quanto cardiovascular. Veja também para que serve a vitamina K2.

O que o estudo científico mostrou
Segundo o ensaio clínico randomizado Two Years of Menaquinone-7 Supplementation and Coronary Artery Calcification, publicado no JAMA Cardiology e registrado no ClinicalTrials.gov como NCT01002157, a suplementação diária com 360 µg de MK-7 por 2 anos reduziu a progressão da calcificação coronariana em comparação com placebo.
O estudo incluiu 180 adultos com doença arterial coronariana sintomática e escore de cálcio coronariano entre 50 e 400 unidades Agatston. No grupo placebo, o escore mediano subiu de 145 para 214 após 2 anos; no grupo MK-7, subiu de 135 para 184, indicando progressão mais lenta.
Isso limpa as artérias
A expressão “tirar cálcio das artérias” pode confundir. O estudo não mostrou que a vitamina K2 remove placas já calcificadas, mas sim que pode desacelerar a progressão da calcificação em pessoas com doença coronariana.
- O efeito observado foi modesto, mas estatisticamente significativo;
- A K2 parece agir melhor em processos de calcificação em desenvolvimento;
- Não houve prova de redução de infarto, AVC ou mortalidade nesse estudo;
- O benefício clínico ainda precisa ser confirmado em pesquisas maiores.
Quem precisa ter cuidado
Suplementos de vitamina K2 não devem ser usados sem orientação, principalmente por pessoas que usam remédios anticoagulantes. A vitamina K participa da coagulação, e isso pode interferir em alguns tratamentos.
- Quem usa varfarina ou outros antagonistas da vitamina K deve evitar automedicação;
- Pessoas com doença cardíaca devem manter acompanhamento com cardiologista;
- A K2 não substitui estatinas, anti-hipertensivos ou outras terapias prescritas;
- Gestantes, lactantes e pessoas com doenças crônicas devem buscar orientação profissional.

O que muda na prática
A principal mensagem é que a vitamina K2 pode ser uma peça no equilíbrio entre ossos, vasos e metabolismo do cálcio, mas não é uma solução rápida para “desentupir” artérias. O estudo de 2 anos reforça uma hipótese promissora, porém ainda não transforma o suplemento em tratamento padrão para doença coronariana.
Para proteger o coração, continuam essenciais alimentação equilibrada, controle do colesterol e da pressão, atividade física, não fumar e seguir os medicamentos indicados pelo médico. A K2 pode ter espaço em casos específicos, mas a decisão deve ser individualizada.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









