Tontura e vertigem que aparecem em crises, voltam de tempos em tempos e nem sempre vêm com dor de cabeça podem ter outra explicação além da “labirintite”. Uma causa possível é a enxaqueca vestibular, condição neurológica que afeta o equilíbrio e é considerada uma das causas mais comuns de vertigem recorrente.
O que é enxaqueca vestibular
A enxaqueca vestibular acontece quando mecanismos da enxaqueca atingem também o sistema vestibular, responsável pelo equilíbrio. Isso pode provocar sensação de giro, desequilíbrio, tontura, enjoo e sensibilidade a movimentos.
O detalhe que confunde muita gente é que a dor de cabeça pode faltar. Algumas pessoas têm apenas vertigem, mal-estar ao se movimentar, sensibilidade à luz ou ao som, e só depois descobrem que o padrão tem relação com enxaqueca.
Segundo a Cleveland Clinic, a enxaqueca vestibular pode causar tontura, perda de equilíbrio e vertigem, sendo apontada por estudos como a segunda causa mais comum de vertigem. O diagnóstico exige avaliação porque outras doenças, como VPPB e doença de Ménière, podem causar sintomas parecidos.

Sinais que podem aparecer
As crises podem durar minutos, horas ou até dias, e a intensidade varia bastante. Em geral, o padrão de repetição e a associação com sensibilidade sensorial ajudam a levantar a suspeita.
- Vertigem, como se tudo girasse;
- Tontura ou sensação de desequilíbrio;
- Náuseas, vômitos ou mal-estar com movimento;
- Sensibilidade à luz, sons, cheiros ou telas;
- Histórico pessoal ou familiar de enxaqueca.
O que um estudo científico mostrou
A enxaqueca vestibular ainda é subdiagnosticada porque muitos pacientes chegam ao consultório falando apenas em tontura, sem associar o sintoma à enxaqueca. Por isso, revisões recentes reforçam a importância de perguntar sobre crises anteriores, gatilhos, fotofobia, fonofobia e histórico de enxaqueca.
Segundo a revisão narrativa “Vestibular migraine: an update”, publicada na revista Current Opinion in Neurology, a enxaqueca vestibular é uma condição de alta prevalência em clínicas de cefaleia e neuro-otologia, mas ainda pouco reconhecida. A revisão destaca que uma boa história clínica é essencial para diferenciar o quadro de outras causas de tontura.
Gatilhos que merecem atenção
Nem sempre existe um gatilho único, mas algumas situações podem facilitar as crises em pessoas predispostas. Observar o contexto em que a tontura aparece ajuda o médico a confirmar o padrão.
- Estresse, ansiedade ou poucas horas de sono;
- Jejum prolongado ou horários irregulares de refeições;
- Oscilações hormonais ou período menstrual;
- Álcool, cafeína em excesso ou certos alimentos;
- Uso prolongado de telas, luz forte ou ambientes cheios de estímulos.
Como tontura pode ter várias origens, entender outras causas de tontura também ajuda a perceber quando o sintoma precisa de investigação mais detalhada.

Quando procurar avaliação
Procure um otorrinolaringologista, neurologista ou clínico geral se as crises de tontura voltam com frequência, duram muitas horas, atrapalham trabalho, direção, sono ou atividades simples. O tratamento pode envolver ajustes de rotina, controle de gatilhos, reabilitação vestibular e medicamentos para crises ou prevenção.
Busque atendimento com urgência se a tontura vier com fraqueza em um lado do corpo, fala enrolada, visão dupla, desmaio, dor de cabeça súbita e muito intensa, dor no peito, dificuldade para andar ou perda auditiva repentina. Esses sinais exigem avaliação imediata e não devem ser tratados como “labirintite comum”.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









