A acatisia é uma sensação intensa de inquietação interna que faz a pessoa sentir necessidade constante de se mexer, especialmente nas pernas. Quem passa por isso pode não conseguir ficar sentado, cruzar e descruzar as pernas repetidamente, levantar várias vezes ou andar de um lado para o outro, mesmo tentando se controlar.
O que é acatisia
A acatisia é um distúrbio do movimento marcado por desconforto interno e impulso quase irresistível de se movimentar. Ela não é apenas “agitação” ou nervosismo, pois costuma ter relação com alterações no sistema nervoso e, muitas vezes, com o uso de certos medicamentos.
Segundo a Cleveland Clinic, a acatisia pode surgir principalmente após iniciar, aumentar ou trocar remédios que afetam a dopamina, como alguns antipsicóticos, embora também possa ocorrer com outros medicamentos.

Sinais que ajudam a reconhecer
O sinal mais típico é a combinação de desconforto por dentro com movimento por fora. A pessoa pode parecer ansiosa, mas relata que ficar parada é quase impossível.
- Inquietação interna constante, difícil de explicar;
- Necessidade de mexer as pernas o tempo todo;
- Dificuldade para ficar sentado em consultas, refeições ou transporte;
- Andar de um lado para o outro para aliviar o incômodo;
- Irritação, angústia ou piora do sono por não conseguir relaxar.
Quando há movimentos repetitivos, tremores ou sensação de pernas inquietas à noite, outras causas também devem ser avaliadas. Veja mais sobre sintomas relacionados à acatisia.
Remédios que podem estar ligados
A acatisia pode aparecer dias ou semanas após uma mudança no tratamento. Por isso, é importante informar ao médico todos os remédios usados, inclusive os iniciados recentemente.
- Antipsicóticos usados para esquizofrenia, bipolaridade ou outros quadros;
- Alguns antidepressivos, especialmente após ajuste de dose;
- Medicamentos para enjoo, náuseas ou tontura;
- Retirada ou mudança brusca de certos remédios psiquiátricos;
- Associações de medicamentos que aumentam efeitos no sistema nervoso.
Nunca se deve parar um remédio por conta própria ao suspeitar de acatisia. A interrupção repentina pode piorar sintomas, causar abstinência ou descompensar a condição que estava sendo tratada.
O que mostrou um estudo científico
O tratamento da acatisia induzida por antipsicóticos ainda exige cautela, porque nem todas as opções têm o mesmo nível de evidência. Segundo a revisão sistemática e meta-análise em rede Comparative Efficacy and Acceptability of Treatment Strategies for Antipsychotic-Induced Akathisia, publicada no Schizophrenia Bulletin, foram avaliados 19 ensaios com 661 participantes.
Os autores observaram que betabloqueadores e antagonistas 5-HT2A podem melhorar a gravidade da acatisia, mas a confiança nas evidências foi considerada baixa. Isso reforça que a escolha deve ser individualizada, considerando riscos, benefícios e o medicamento que pode ter desencadeado o quadro.

Quando procurar ajuda
É recomendado procurar o médico que prescreveu o remédio, ou um psiquiatra ou neurologista, quando a inquietação surge após iniciar ou ajustar uma medicação. A avaliação é ainda mais importante se houver sofrimento intenso, insônia, piora da ansiedade, ideias de autoagressão ou vontade de abandonar o tratamento.
O manejo pode envolver ajuste de dose, troca do medicamento suspeito ou uso temporário de remédios para aliviar os sintomas. Reconhecer cedo a acatisia ajuda a evitar sofrimento desnecessário e melhora a segurança do tratamento.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









