Pedir para alguém repetir frases, aumentar o volume da TV ou se perder em conversas com ruído pode parecer apenas distração depois dos 50 anos. Mas esses sinais podem indicar perda auditiva, condição que foi associada a uma queda mais rápida da memória e de outras funções cognitivas em um estudo com brasileiros.
Por que ouvir menos pode afetar a memória
Quando a audição piora, o cérebro precisa gastar mais esforço para entender sons e palavras. Com isso, sobram menos recursos para outras tarefas, como guardar informações, prestar atenção e acompanhar conversas.
Outro ponto importante é o isolamento. Pessoas com perda auditiva podem evitar encontros, reuniões familiares e ambientes barulhentos, reduzindo a estimulação social que também ajuda a manter o cérebro ativo.

O que mostrou o estudo científico brasileiro
Segundo o estudo longitudinal Hearing loss and cognitive decline in the Brazilian Longitudinal Study of Adult Health (ELSA-Brasil) during eight years of follow-up, publicado no Journal of Alzheimer’s Disease, pesquisadores acompanharam 805 adultos do centro de São Paulo do ELSA-Brasil por cerca de 8 anos.
Os participantes fizeram audiometria e testes de memória, fluência verbal e função executiva. Após ajustes para fatores de saúde, estilo de vida e características sociodemográficas, a perda auditiva foi associada a um declínio cognitivo global mais acelerado.
Sinais que merecem atenção
A perda auditiva costuma avançar devagar, por isso familiares e amigos muitas vezes percebem antes da própria pessoa. Alguns sinais no dia a dia podem indicar que vale procurar avaliação.
- Pedir para repetir frases com frequência;
- Aumentar muito o volume da TV ou do celular;
- Dificuldade para entender conversas em grupo;
- Responder de forma diferente ao que foi perguntado;
- Evitar lugares barulhentos por cansaço ou irritação.
De acordo com o Jornal da USP, a meia-idade, especialmente entre 40 e 65 anos, é uma janela importante para prevenção, pois a perda auditiva nesse período pode ter maior impacto no envelhecimento cognitivo.
Como proteger a audição depois dos 50
Nem toda perda auditiva pode ser evitada, mas muitos fatores de risco podem ser reduzidos. O cuidado é ainda mais importante para quem já percebe dificuldade para ouvir ou tem histórico familiar de problemas auditivos.
- Evitar fones de ouvido em volume alto;
- Usar proteção em ambientes com ruído intenso;
- Controlar pressão alta, diabetes e colesterol;
- Não usar cotonete profundamente no ouvido;
- Fazer audiometria quando houver sinais de dificuldade auditiva.

Quando procurar avaliação
O ideal é procurar um otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo quando a dificuldade para ouvir começa a atrapalhar conversas, trabalho, lazer ou convívio social. A audiometria ajuda a confirmar o grau da alteração e orientar o tratamento.
Em alguns casos, o uso de aparelho auditivo, reabilitação auditiva ou tratamento da causa específica pode melhorar a comunicação. Para entender sintomas, causas e opções de cuidado, veja também o conteúdo sobre perda auditiva.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









