A perda de olfato que aparece aos poucos e não melhora com o tempo nem sempre é causada por sinusite, rinite ou envelhecimento. Em alguns casos, pode ser um sinal precoce de alterações neurológicas, incluindo a doença de Parkinson, anos antes de surgirem sintomas motores como tremores, lentidão e rigidez.
Por que o olfato pode mudar primeiro
O olfato depende de estruturas do nariz, mas também de áreas específicas do cérebro. Por isso, quando a pessoa passa a sentir menos cheiro sem nariz entupido, secreção ou alergia evidente, a causa pode não estar apenas nas vias respiratórias.
Segundo a Johns Hopkins Medicine, a perda do olfato pode fazer parte dos sinais precoces da doença de Parkinson, junto com constipação, alterações do sono REM, ansiedade e depressão de início tardio.

Sinais que merecem atenção
A perda de olfato isolada não confirma Parkinson, mas deve ser investigada quando é persistente, progressiva ou vem acompanhada de outros sintomas fora do padrão esperado para sinusite.
- Diminuição gradual da capacidade de sentir cheiros;
- Dificuldade para perceber café, perfume, comida ou fumaça;
- Constipação persistente sem causa clara;
- Sono agitado, com chutes, socos ou movimentos durante sonhos;
- Lentidão, rigidez, letra menor ou redução do balanço dos braços ao caminhar.
O que diz um estudo científico
Segundo o estudo prospectivo Association of olfactory dysfunction with risk for future Parkinson’s disease, publicado na revista Annals of Neurology, homens idosos com pior desempenho em testes de olfato tiveram maior risco de desenvolver Parkinson nos anos seguintes.
Esse achado não significa que toda pessoa com olfato reduzido terá a doença. Ele mostra que a alteração pode funcionar como uma pista neurológica quando não há outra explicação evidente e quando aparece junto com outros sinais chamados de prodromais, ou seja, anteriores aos sintomas clássicos.
Outras causas são comuns
Antes de pensar em doença neurológica, é importante lembrar que muitas causas mais frequentes podem reduzir o olfato. A avaliação médica ajuda a diferenciar uma alteração passageira de um sinal que precisa de investigação mais ampla.
- Sinusite, rinite alérgica ou pólipos nasais;
- Infecções respiratórias, incluindo Covid-19;
- Tabagismo e exposição a irritantes químicos;
- Traumas na cabeça ou no nariz;
- Uso de alguns medicamentos ou envelhecimento.

Quando procurar avaliação
Procure atendimento se a perda de olfato durar várias semanas, piorar progressivamente, surgir sem obstrução nasal ou vier acompanhada de tremores, lentidão, rigidez, quedas, constipação persistente ou alterações importantes do sono.
O médico pode avaliar nariz, histórico clínico, medicamentos e sinais neurológicos. Também pode orientar exames ou encaminhar para especialista. Entenda melhor sintomas, causas e tratamento do Parkinson quando há suspeita clínica.
Perceber cheiros com menos intensidade pode parecer apenas um detalhe, mas observar a duração e os sintomas associados ajuda a identificar problemas que merecem cuidado antes que avancem.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









