Confundir cheiros comuns, como pizza com chiclete, pode parecer apenas uma falha curiosa, mas pesquisadores investigam se esse tipo de erro ajuda a identificar alterações ligadas ao olfato Parkinson. A perda ou distorção do olfato pode surgir anos antes dos tremores, embora não seja suficiente para diagnosticar a doença sozinha.
Por que o olfato entra no radar
O olfato depende do nariz, dos nervos olfatórios e de áreas do cérebro responsáveis por reconhecer cheiros. Por isso, quando a pessoa começa a errar odores familiares sem estar gripada ou com sinusite, o sinal merece atenção.
No Parkinson, a redução do olfato, chamada hiposmia, é comum e pode aparecer antes de sintomas motores, como tremor, lentidão e rigidez. Mesmo assim, a alteração também pode ocorrer por envelhecimento, rinite, Covid-19, trauma na cabeça e outras doenças neurológicas.

O que mostrou o estudo científico
Segundo o estudo Hyposmia in Parkinson’s disease; exploring selective odour loss, publicado na revista npj Parkinson’s Disease, pesquisadores analisaram dados do teste de identificação de cheiros da Universidade da Pensilvânia e usaram modelos de aprendizado de máquina para comparar pessoas com hiposmia ligada ao Parkinson e pessoas com hiposmia por outras causas.
O erro de confundir pizza com chiclete apareceu como uma resposta associada ao Parkinson em alguns modelos. Porém, o melhor desempenho identificou corretamente apenas parte dos casos, mostrando que o padrão de erros pode ajudar em pesquisas, mas ainda não serve como diagnóstico isolado.
Como funciona o teste de olfato
Testes de olfato costumam apresentar odores padronizados para a pessoa identificar entre opções de resposta. Eles são simples, relativamente baratos e podem ser aplicados em triagens, especialmente quando há outros sinais suspeitos.
- A pessoa sente um odor específico, como café, canela, menta ou pizza;
- Escolhe a resposta entre alternativas prontas;
- O resultado mostra se há perda de olfato ou erros incomuns;
- O médico interpreta o teste junto com sintomas, idade e histórico;
- Em caso de suspeita, pode indicar avaliação neurológica.
Sinais que aumentam a suspeita
A alteração do olfato ganha mais importância quando não vem sozinha. A combinação com mudanças motoras, sono agitado ou sintomas intestinais pode indicar necessidade de investigação mais detalhada.
- Perda gradual do olfato sem nariz entupido;
- Tremor em repouso, mesmo leve;
- Lentidão para andar, escrever ou se vestir;
- Rigidez muscular ou redução do balanço dos braços;
- Constipação persistente e sono com movimentos intensos;
- Histórico familiar de Parkinson.

O que observar antes de se preocupar
Perder o olfato não significa, necessariamente, ter Parkinson. A maioria das pessoas com hiposmia tem causas mais comuns, como inflamações nasais, infecções respiratórias, tabagismo, pólipos ou sequelas virais.
Procure avaliação se a alteração persistir por semanas, piorar aos poucos ou vier acompanhada de tremor, lentidão, rigidez, quedas ou mudanças importantes no sono. Entenda também os sintomas e cuidados relacionados ao Parkinson.
O teste de olfato pode ser uma peça útil no rastreamento precoce, mas o diagnóstico depende de avaliação clínica. O mais importante é não ignorar uma mudança persistente, especialmente quando ela aparece junto com outros sinais neurológicos.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









