Acordar repetidamente durante a madrugada, roncar de forma intensa e sentir cansaço logo ao levantar são queixas mais comuns do que se imagina, mas raramente recebem a atenção que merecem. Esses sinais podem ser a manifestação inicial da apneia obstrutiva do sono, um distúrbio que interrompe a respiração dezenas de vezes por noite e compromete o descanso profundo. Sem diagnóstico e tratamento adequados, o problema aumenta o risco de hipertensão, infarto e acidente vascular cerebral, tornando essencial a avaliação com um especialista em medicina do sono.
O que é a apneia obstrutiva do sono?
A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio respiratório caracterizado por pausas repetidas na respiração durante a noite, causadas pelo colapso parcial ou total das vias aéreas superiores. Essas interrupções podem durar de alguns segundos a mais de um minuto e se repetem várias vezes ao longo do sono.
Cada pausa reduz a oxigenação do sangue e provoca um microdespertar, mesmo que a pessoa não perceba. O resultado é um sono fragmentado, superficial e pouco reparador, mesmo quando a duração total parece adequada.
Quais sinais indicam que a apneia já se instalou?
Os sintomas costumam ser percebidos primeiro pelo parceiro de cama, que nota o ronco intenso e as pausas respiratórias. Fique atento aos principais sinais que aparecem tanto durante a noite quanto ao longo do dia:
- Ronco alto e frequente: presente em quase todas as noites, muitas vezes com engasgos.
- Pausas na respiração: observadas por outras pessoas durante o sono.
- Despertares repetidos: acordar várias vezes na madrugada, às vezes com sensação de sufocamento.
- Sonolência diurna excessiva: sensação de cansaço mesmo após uma noite completa de sono.
- Boca seca ao acordar: resultado da respiração bucal noturna.
- Dor de cabeça matinal: ligada à queda de oxigênio durante a noite.
- Dificuldade de concentração: falhas de memória e queda no rendimento no trabalho.
Quando esses sinais aparecem em conjunto, o ideal é buscar avaliação com um dos especialistas em apneia do sono, como pneumologista, otorrinolaringologista ou neurologista com formação na área.

Como a apneia afeta o coração e o risco de AVC?
As pausas respiratórias reduzem o oxigênio no sangue e ativam repetidamente o sistema nervoso, elevando a pressão arterial e sobrecarregando o coração. Com o tempo, esse ciclo contribui para hipertensão resistente, arritmias como a fibrilação atrial, infarto e acidente vascular cerebral.
Além disso, a fragmentação crônica do sono favorece o desenvolvimento de resistência à insulina, ganho de peso e inflamação sistêmica, fatores que se somam ao risco cardiovascular já elevado nos pacientes com apneia do sono.
O que dizem os estudos sobre apneia e doenças cardiovasculares?
Diretrizes internacionais reforçam a importância de reconhecer e tratar a apneia obstrutiva do sono como parte da prevenção cardiovascular. Segundo a declaração científica Obstructive Sleep Apnea and Cardiovascular Disease, publicada pela American Heart Association na revista Circulation, a apneia obstrutiva do sono está presente em 40% a 80% dos pacientes com hipertensão, insuficiência cardíaca, doença coronariana, fibrilação atrial e acidente vascular cerebral.
O mesmo documento destaca que aproximadamente 34% dos homens e 17% das mulheres de meia idade preenchem critérios diagnósticos para apneia, mas grande parte permanece sem diagnóstico. Isso reforça a necessidade de investigar o distúrbio sempre que houver ronco frequente, despertares repetidos e sonolência diurna.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?
O exame considerado padrão ouro para o diagnóstico é a polissonografia, realizada em laboratório do sono. Ela monitora a respiração, a oxigenação, os batimentos cardíacos e a atividade cerebral durante uma noite inteira, permitindo classificar a gravidade do quadro pelo índice de apneia e hipopneia.
O tratamento varia conforme a gravidade e pode incluir perda de peso, mudanças posturais, aparelhos intraorais e o uso do CPAP, dispositivo que mantém as vias aéreas abertas durante o sono. Em casos selecionados, procedimentos cirúrgicos também podem ser indicados. Diante de sintomas persistentes, é fundamental procurar orientação médica profissional para avaliação individualizada e definição da conduta mais adequada.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um médico para orientações personalizadas.









