O consumo de café sem açúcar voltou a chamar atenção na saúde do fígado. Um estudo de coorte populacional publicado em 2026 associou maior ingestão de café ao menor risco de MASLD, nome atual usado para a gordura no fígado ligada a fatores metabólicos, como excesso de peso, pré-diabetes, diabetes, pressão alta e alterações no colesterol.
O que é MASLD
MASLD significa doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica. Na prática, é o acúmulo de gordura no fígado em pessoas que também têm pelo menos um fator de risco cardiometabólico, como obesidade abdominal, glicose elevada, hipertensão ou triglicerídeos altos.
O quadro pode evoluir silenciosamente por anos e, em alguns casos, favorecer inflamação, fibrose e cirrose. Para entender sinais, causas e tratamento, veja também o conteúdo do Tua Saúde sobre fígado gorduroso.
O que o estudo científico mostrou
Segundo o estudo de coorte populacional Italian style coffee consumption and metabolically dysfunctional-associated steatotic liver disease (MASLD): a cohort population study in Southern Italy, publicado na Frontiers in Nutrition, pesquisadores avaliaram 1.079 adultos consumidores de café da coorte Nutrihep, no sul da Itália.
Após ajustes para fatores como idade, sexo, IMC, pressão arterial, açúcar no café, leite, tabagismo, padrão alimentar, HDL, enzimas do fígado e glicemia, o consumo diário de café foi associado a menor chance de MASLD. O maior efeito apareceu em quem bebia 4 a 6 xícaras por dia, com odds ratio de 0,407 em comparação a menos de 1 xícara.

Por que o café pode proteger o fígado
O café não é apenas cafeína. Ele contém compostos bioativos que podem influenciar inflamação, metabolismo da gordura e estresse oxidativo, mecanismos importantes no desenvolvimento do fígado gorduroso metabólico.
- Ácidos clorogênicos: podem atuar no metabolismo da glicose e da gordura.
- Cafeína: pode modular vias ligadas à energia e à função hepática.
- Diterpenos: aparecem mais em preparos menos filtrados, como espresso e moka.
- Melanoidinas: compostos formados na torra, com possível ação antioxidante.
- Trigonelina: substância estudada por efeitos metabólicos.
O detalhe do café sem açúcar
O estudo ajustou a análise para o uso de açúcar no café, o que ajuda a separar melhor o efeito da bebida de hábitos que poderiam confundir o resultado. Ainda assim, para quem tem risco metabólico, o café sem açúcar tende a ser uma escolha mais coerente.
Açúcar adicionado aumenta calorias e pode dificultar o controle de peso, glicose e triglicerídeos. Por isso, quando o tema é café fígado, o benefício potencial deve ser pensado junto com o padrão alimentar como um todo, não como permissão para exagerar em doces ou ultraprocessados.

Como consumir com cuidado
Os achados são promissores, mas observacionais. Isso significa que o estudo mostra associação, não prova que o café previne ou trata gordura no fígado. Além disso, o padrão estudado foi o café italiano, principalmente espresso e moka, em xícaras pequenas de cerca de 40 ml.
- Prefira café sem açúcar ou com redução gradual do açúcar.
- Evite combinar café com bolos, biscoitos e doces todos os dias.
- Tenha cautela se houver ansiedade, insônia, gastrite ou arritmias.
- Gestantes, idosos sensíveis e pessoas com distúrbios do sono devem individualizar o consumo.
- Não use café como substituto de perda de peso, dieta equilibrada e atividade física.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento indicado por um médico.









