A deficiência de B12 pode afetar o sistema nervoso antes de causar alterações evidentes no hemograma, como anemia ou aumento do tamanho das hemácias. Por isso, sinais como formigamento, dormência, desequilíbrio e falhas de memória merecem atenção, especialmente quando são persistentes ou aparecem sem causa clara.
Por que os nervos podem sofrer primeiro
A vitamina B12 participa da manutenção da mielina, camada que protege os nervos e ajuda na transmissão dos impulsos nervosos. Quando seus níveis caem, essa proteção pode ser prejudicada, favorecendo sintomas sensitivos e motores mesmo antes de alterações hematológicas importantes.
Isso explica por que algumas pessoas sentem formigamento nas mãos e nos pés, sensação de queimação ou dificuldade de equilíbrio sem ainda apresentar anemia. Para entender melhor o quadro geral, veja também os principais sintomas da falta de vitamina B12.
Sinais iniciais de alerta
Os primeiros sinais neurológicos costumam ser discretos e podem ser confundidos com estresse, má postura, envelhecimento ou cansaço. A investigação é mais importante quando os sintomas se repetem, pioram aos poucos ou surgem em conjunto.
- Formigamento, dormência ou queimação em mãos, pés, pernas ou braços;
- Perda de equilíbrio, tropeços frequentes ou sensação de instabilidade ao caminhar;
- Fraqueza muscular ou dificuldade para realizar tarefas simples;
- Falhas de memória, dificuldade de concentração ou lentidão para raciocinar;
- Alterações de humor, irritabilidade, apatia ou sintomas depressivos.

O que o estudo científico observou
Segundo a revisão sistemática The Neurological Sequelae of Vitamin B12 Deficiency, publicada na Cureus em 2025, a deficiência de B12 é reconhecida como causa de complicações neurológicas, incluindo neuropatia periférica, declínio cognitivo e mielopatia.
A revisão avaliou ensaios clínicos randomizados sobre suplementação de vitamina B12 e observou que a reposição tende a beneficiar pessoas com deficiência clínica evidente. No entanto, os efeitos em casos subclínicos, quando há pouca ou nenhuma manifestação clara, ainda foram considerados menos consistentes.
Quem deve investigar a deficiência de B12
Alguns grupos têm maior risco de deficiência porque ingerem pouca B12 ou têm dificuldade de absorver a vitamina. Nesses casos, sintomas neurológicos leves já podem justificar uma avaliação médica e exames específicos.
- Pessoas vegetarianas estritas ou veganas sem suplementação adequada;
- Idosos, pela maior frequência de redução da acidez gástrica e má absorção;
- Pessoas que fizeram cirurgia bariátrica ou têm doenças intestinais;
- Uso prolongado de metformina ou remédios que reduzem a acidez do estômago;
- Histórico de anemia perniciosa ou outras doenças autoimunes.
Além do hemograma, o médico pode solicitar a dosagem de vitamina B12 e, em alguns casos, exames como ácido metilmalônico e homocisteína, que ajudam a avaliar deficiência funcional.

Como evitar danos persistentes
O ponto mais importante é não esperar a anemia aparecer para investigar sintomas neurológicos persistentes. Quando a deficiência é identificada cedo, a reposição de B12, por via oral, sublingual ou injetável, pode ser indicada conforme a causa, a gravidade e a capacidade de absorção.
Também é essencial tratar o motivo da carência, como dieta inadequada, má absorção intestinal ou uso de medicamentos associados. Em pessoas com perda de equilíbrio, dormência progressiva ou alteração de marcha, a avaliação médica deve ser feita com prioridade.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









