Sentir dor na panturrilha depois de uma viagem longa pode ser apenas cãibra, tensão muscular ou desconforto por ficar sentado por horas. Mas, em alguns casos, esse sintoma pode indicar trombose venosa profunda, quando um coágulo se forma em uma veia profunda da perna e pode exigir atendimento rápido.
Por que a viagem aumenta o risco
Ficar muito tempo sentado, com pouco movimento das pernas, reduz a contração da panturrilha, que funciona como uma “bomba” para ajudar o sangue a voltar ao coração. Isso pode favorecer a estase venosa, um dos fatores ligados à formação de coágulos.
Segundo a Mayo Clinic, a trombose venosa profunda pode causar dor, inchaço, sensação de calor e mudança de cor na pele da perna. O risco é maior em pessoas com histórico de trombose, cirurgia recente, câncer, gravidez, uso de hormônios, obesidade ou tabagismo.

O que diz o estudo científico
Segundo a revisão sistemática Travel-Associated Venous Thromboembolism, publicada na revista Wilderness & Environmental Medicine, viagens aéreas estão associadas a maior risco de tromboembolismo venoso, com relação de dose a partir de cerca de 4 horas de deslocamento.
A revisão também destacou que o risco individual varia muito. Para pessoas com fatores de risco, meias de compressão graduada podem ajudar na prevenção, mas a indicação deve considerar histórico de saúde, tipo de viagem e orientação médica.
Como diferenciar cãibra de trombose
A cãibra costuma surgir como contração forte, rápida e dolorosa do músculo, melhorando com alongamento, massagem leve e hidratação. Já a trombose tende a causar dor mais persistente e localizada, muitas vezes junto de outros sinais.
- Cãibra comum: dor súbita, músculo endurecido e melhora em minutos.
- Dor muscular: aparece após esforço, melhora com repouso e não costuma causar inchaço importante.
- Trombose: dor contínua, sensibilidade, inchaço em uma perna e sensação de calor local.
- Atenção: a trombose também pode ocorrer com poucos sintomas.
Sinais de alerta após a viagem
Quando a dúvida é dor panturrilha após viagem, observe se há assimetria entre as pernas e se os sintomas estão piorando. Alguns sinais devem motivar avaliação médica no mesmo dia:
- Inchaço em apenas uma perna ou aumento visível da panturrilha.
- Dor que não melhora, piora ao ficar em pé ou vem com sensibilidade ao toque.
- Pele quente, avermelhada, arroxeada ou brilhante na região dolorida.
- Falta de ar, dor no peito, tosse com sangue ou desmaio, que podem sugerir embolia pulmonar.
Também vale conhecer outros sinais e cuidados gerais sobre trombose, especialmente para quem já teve coágulos ou possui fatores de risco.

O que fazer sem se arriscar
Se houver suspeita de trombose, não é recomendado massagear forte a panturrilha nem tentar “desmanchar” a dor com calor intenso. O mais seguro é procurar atendimento para avaliação, pois o diagnóstico pode exigir ultrassom e, em alguns casos, exames de sangue.
Para prevenir em viagens futuras, levante-se quando possível, movimente os tornozelos, contraia as panturrilhas, beba água e evite passar muitas horas imóvel. Pessoas de maior risco devem conversar com um médico antes de viagens longas para definir medidas personalizadas.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









