O sal light voltou a chamar atenção porque pode reduzir parte do sódio da alimentação, mas isso não significa que ele seja seguro para todo mundo. Muitas versões trocam parte do cloreto de sódio por cloreto de potássio, uma mudança que pode ajudar alguns adultos e exigir cuidado em quem tem risco de potássio alto no sangue.
O que muda no sal light
O sal comum é formado principalmente por cloreto de sódio. Já o sal light, também chamado de substituto do sal com menor teor de sódio, costuma manter o sabor salgado usando uma mistura com menos sódio e mais potássio.
Essa troca pode ser útil porque o excesso de sódio favorece a pressão alta, enquanto o potássio participa do equilíbrio de líquidos e da função muscular e cardíaca. Ainda assim, usar sal light não autoriza salgar mais a comida.

O que a OMS passou a orientar
Segundo a diretriz Use of lower-sodium salt substitutes, publicada pela Organização Mundial da Saúde em 2025, substitutos do sal com menor teor de sódio podem fazer parte de estratégias para reduzir a ingestão de sódio, a pressão arterial e o risco de doenças cardiovasculares.
A recomendação se aplica ao uso de sal adicionado aos alimentos por adultos da população geral. Porém, a própria lógica da diretriz exige atenção ao potássio, especialmente em pessoas que não conseguem eliminar bem esse mineral.
Quem deve ter cuidado
O principal risco do sal light é a hipercalemia, que é o excesso de potássio no sangue. Essa alteração pode afetar os batimentos cardíacos e ser mais perigosa em pessoas com rins comprometidos ou uso de certos medicamentos.
- Pessoas com doença renal ou função renal reduzida;
- Quem usa remédios que aumentam o potássio, como alguns anti-hipertensivos;
- Pessoas com insuficiência cardíaca, diabetes ou histórico de potássio alto;
- Gestantes, crianças e idosos frágeis sem orientação profissional;
- Quem usa suplementos de potássio ou substitutos do sal com frequência.
O que mostra um estudo científico
Um ensaio clínico ajuda a explicar por que os substitutos com potássio ganharam espaço nas recomendações. Segundo o estudo Effect of Salt Substitution on Cardiovascular Events and Death, publicado no New England Journal of Medicine, pesquisadores acompanharam mais de 20 mil pessoas na China que usaram sal comum ou substituto com 75% de cloreto de sódio e 25% de cloreto de potássio.
O grupo que usou o substituto teve menor taxa de AVC, eventos cardiovasculares maiores e morte por qualquer causa. Ainda assim, os participantes eram de alto risco e pessoas com maior chance de hipercalemia grave não representam todos os consumidores, por isso a troca precisa considerar o perfil individual.

Como reduzir o sódio com segurança
Mesmo quando o sal light é permitido, a meta continua sendo reduzir o paladar por comida muito salgada. Também é importante lembrar que grande parte do sódio vem de ultraprocessados, temperos prontos, embutidos e alimentos de pacote.
- Use menos sal no preparo e evite deixar o saleiro à mesa;
- Tempere com alho, cebola, limão, vinagre, ervas e especiarias;
- Compare rótulos e escolha produtos com menor teor de sódio;
- Reduza embutidos, macarrão instantâneo, salgadinhos e molhos prontos;
- Converse com médico ou nutricionista antes de trocar para sal light se usa remédios contínuos.
Entenda também os principais tipos de sal e como eles variam em composição. A melhor escolha depende do consumo total de sódio, do estado dos rins, dos medicamentos em uso e dos exames de cada pessoa.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









