As pernas inquietas ao deitar podem parecer ansiedade, estresse ou dificuldade para relaxar, mas também podem indicar síndrome das pernas inquietas. Nessa condição neurológica, surge uma vontade quase irresistível de mexer as pernas, geralmente acompanhada de desconforto, formigamento ou sensação estranha, principalmente à noite e em repouso.
Por que piora na hora de dormir
A síndrome das pernas inquietas costuma aparecer ou piorar quando a pessoa fica parada, como ao deitar, sentar por muito tempo ou tentar dormir. O movimento alivia temporariamente, o que pode atrasar o sono e causar despertares durante a noite.
O quadro não é apenas psicológico. Ele envolve alterações no sistema nervoso e pode ter relação com o funcionamento da dopamina, substância importante para o controle dos movimentos.
Segundo o NINDS/NIH, a síndrome das pernas inquietas é uma condição neurológica que causa uma urgência irresistível de mover as pernas, especialmente no fim do dia ou à noite.
Sinais típicos de pernas inquietas
Algumas características ajudam a diferenciar a síndrome das pernas inquietas de uma inquietação comum causada por preocupação, cafeína ou cansaço acumulado.
- Vontade intensa de mexer as pernas ao deitar ou descansar.
- Formigamento, fisgadas, repuxões ou sensação incômoda profunda nas pernas.
- Melhora temporária ao caminhar, alongar ou balançar as pernas.
- Piora no fim da tarde, à noite ou durante a madrugada.
- Dificuldade para pegar no sono ou sono fragmentado.

O que diz um estudo científico
A relação entre pernas inquietas e ferro é estudada porque esse mineral participa de processos cerebrais ligados à dopamina. Em algumas pessoas, pode haver alteração no ferro disponível no sistema nervoso, mesmo sem sinais óbvios de anemia.
Segundo o estudo MRI measurement of brain iron in patients with restless legs syndrome, publicado na revista Neurology, medidas por ressonância magnética sugeriram menor disponibilidade de ferro em regiões cerebrais de pacientes com síndrome das pernas inquietas, incluindo áreas relacionadas ao controle dos movimentos.
O que pode entrar na conta
A síndrome pode ser primária, sem causa única identificada, mas também pode estar associada a condições que devem ser investigadas. Por isso, repetir o sintoma por várias noites não deve ser tratado apenas como nervosismo.
- Ferro baixo ou ferritina reduzida, mesmo antes de anemia evidente.
- Gravidez, especialmente no terceiro trimestre.
- Doença renal crônica ou diabetes.
- Uso de alguns medicamentos, conforme avaliação médica.
- Histórico familiar de síndrome das pernas inquietas.
Para entender melhor sintomas, causas e opções de tratamento, veja também o conteúdo do Tua Saúde sobre síndrome das pernas inquietas.

Quando procurar avaliação
Procure um clínico geral, neurologista ou médico do sono se as pernas inquietas atrapalham o sono, causam cansaço no dia seguinte, aparecem várias vezes por semana ou vêm acompanhadas de dor, dormência, fraqueza, câimbras intensas ou piora progressiva.
Na consulta, o médico pode avaliar o padrão dos sintomas, o uso de medicamentos e solicitar exames como hemograma e ferritina. Não é recomendado tomar ferro por conta própria, pois o excesso também pode fazer mal e o tratamento depende da causa identificada.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









