O uso de remédios para refluxo por semanas ou meses pode ser necessário e trazer alívio importante, mas também merece acompanhamento. Alguns medicamentos que reduzem a acidez do estômago, especialmente os inibidores da bomba de prótons, podem dificultar a absorção de vitamina B12 em pessoas mais suscetíveis.
Por que o remédio pode afetar a B12
A vitamina B12 dos alimentos, principalmente carnes, ovos, leite e derivados, precisa da acidez do estômago para ser liberada e melhor absorvida. Quando a acidez fica reduzida por muito tempo, esse processo pode ser menos eficiente.
Isso não significa que todo mundo que usa remédio para refluxo terá deficiência. O risco tende a preocupar mais em usos prolongados, pessoas idosas, dietas com pouca B12, histórico de cirurgia no estômago ou intestino e uso de outros medicamentos que também interferem na absorção.
Sintomas que podem envolver os nervos
A deficiência de vitamina B12 pode causar anemia, mas também pode afetar os nervos antes de aparecerem alterações claras no hemograma. Por isso, sintomas neurológicos persistentes não devem ser ignorados.
- Formigamento nas mãos, pés ou pernas;
- Dormência, queimação ou sensação de choques;
- Fraqueza, desequilíbrio ou dificuldade para caminhar;
- Cansaço intenso, palidez, tontura ou falta de ar;
- Alterações de memória, humor ou concentração.
Esses sinais podem ter várias causas, como diabetes, problemas na tireoide, deficiência de outros nutrientes e neuropatias. Veja também quando investigar no conteúdo sobre falta de vitamina B12.

O que diz um estudo científico
Segundo o estudo de coorte retrospectivo Association between proton pump inhibitor use and vitamin B12 deficiency, publicado na Annals of Saudi Medicine em 2026, adultos que usaram inibidores da bomba de prótons por 6 meses ou mais tiveram queda significativa nos níveis de vitamina B12.
O estudo avaliou 376 usuários desses medicamentos em centros de atenção primária em Riade, na Arábia Saudita. A deficiência de B12 aumentou de 8,2% para 12,2%, e sintomas neurológicos foram mais frequentes entre os pacientes que desenvolveram deficiência, reforçando a importância de monitoramento em pessoas de maior risco.
Quem deve conversar com o médico
A avaliação é especialmente importante quando o remédio para refluxo é usado por meses sem revisão da necessidade, dose ou duração. Em alguns casos, o tratamento continua indicado, mas com acompanhamento mais próximo.
- Pessoas com uso diário por mais de 6 meses;
- Idosos ou pessoas com dieta vegetariana estrita;
- Quem usa metformina ou outros remédios contínuos;
- Pessoas com cirurgia bariátrica ou doença intestinal;
- Quem apresenta formigamento, dormência ou cansaço persistente.
O médico pode solicitar hemograma, vitamina B12, ácido metilmalônico e homocisteína, conforme o caso. Também pode reavaliar se o remédio ainda é necessário ou se há alternativas para controlar o refluxo.

Como usar com mais segurança
Não suspenda remédios para refluxo por conta própria, principalmente se há esofagite, úlcera, sangramento digestivo ou indicação médica específica. A interrupção repentina pode piorar os sintomas e causar retorno intenso da azia.
Na prática, o cuidado mais seguro é revisar o tratamento periodicamente, ajustar hábitos que pioram o refluxo e investigar sintomas compatíveis com deficiência. A vitamina B12 baixa pode ser corrigida, mas quanto antes for identificada, menor o risco de sintomas persistentes nos nervos.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









