O sal light voltou ao centro das recomendações de saúde porque pode ajudar a reduzir o consumo de sódio sem tirar totalmente o sabor da comida. A mudança proposta pela OMS chama atenção para os substitutos do sal com potássio, mas também reforça que eles não são indicados para todas as pessoas.
O que a OMS orientou
A orientação da Organização Mundial da Saúde é simples: para adultos da população geral que usam sal de mesa, substituir o sal comum por opções com menos sódio e com potássio pode ajudar a reduzir a pressão arterial e o risco cardiovascular.
Na diretriz Use of lower-sodium salt substitutes: WHO guideline, publicada em janeiro de 2025, a OMS destaca que essa troca deve fazer parte de uma alimentação saudável, junto da redução de ultraprocessados e do excesso de sal no preparo dos alimentos.
Como o sal light funciona
O sal light geralmente troca parte do cloreto de sódio por cloreto de potássio. Assim, ele mantém sabor salgado parecido, mas entrega menos sódio por porção, o que pode ser útil para quem precisa controlar a pressão.
Essa troca não significa que o alimento fica “liberado”. Usar mais quantidade porque o produto é light pode anular o benefício. O ideal é manter a moderação e adaptar o paladar aos poucos.

O que diz um estudo científico
O benefício dessa substituição foi observado no ensaio clínico randomizado Effect of Salt Substitution on Cardiovascular Events and Death, publicado no New England Journal of Medicine. O estudo acompanhou mais de 20 mil pessoas na China e comparou o uso de substituto do sal com o sal comum.
Os pesquisadores observaram menor ocorrência de AVC, eventos cardiovasculares importantes e morte por qualquer causa no grupo que usou o substituto com potássio. Embora os resultados sejam relevantes, o próprio contexto do estudo reforça que a indicação deve considerar hábitos alimentares e riscos individuais.
Quem deve evitar ou pedir orientação
O ponto mais importante do alerta é a segurança. Como o sal light aumenta a ingestão de potássio, algumas pessoas podem ter risco de acúmulo desse mineral no sangue, condição que pode afetar o coração.
- Pessoas com doença renal ou redução da função dos rins;
- Quem usa diuréticos poupadores de potássio;
- Quem usa remédios para pressão, como inibidores da ECA ou bloqueadores da angiotensina;
- Pessoas com insuficiência cardíaca ou acompanhamento cardiológico frequente;
- Gestantes, crianças e pessoas com doenças crônicas sem orientação médica.
Para quem tem hipertensão, também vale entender medidas complementares no conteúdo sobre pressão alta, já que o controle depende de alimentação, peso, atividade física, sono e uso correto dos medicamentos.

Como reduzir sal sem perder sabor
Mesmo com o sal light, o objetivo continua sendo comer com menos sal. A troca ajuda, mas funciona melhor quando vem junto de temperos naturais e menor consumo de produtos prontos.
- Use alho, cebola, limão, ervas e especiarias para realçar o sabor;
- Reduza o sal aos poucos, para o paladar se adaptar;
- Evite temperos prontos, caldos em cubo, embutidos e snacks salgados;
- Leia rótulos e compare a quantidade de sódio por porção;
- Não use sal light como suplemento de potássio.
Na prática, o novo alerta não transforma o sal light em solução única, mas mostra que ele pode ser uma ferramenta útil para adultos sem contraindicações. A melhor escolha é aquela que reduz o sódio sem aumentar riscos, especialmente em quem já usa medicamentos ou tem doença renal.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









