O calçado usado no dia a dia influencia diretamente a carga que o joelho recebe a cada passo e pode ajudar ou piorar os sintomas da artrose. Modelos com bom amortecimento, ajuste adequado e estabilidade reduzem o impacto sobre a cartilagem desgastada, enquanto chinelos finos, sapatos de salto e solados rígidos tendem a aumentar a sobrecarga e a dor. Entender as características que protegem a articulação é uma forma simples de complementar o tratamento orientado por ortopedistas e podólogos, melhorando o conforto durante a caminhada e as atividades cotidianas.
Por que o calçado influencia a dor no joelho com artrose?
Durante a caminhada, o impacto que começa nos pés se propaga pelo tornozelo, joelho, quadril e coluna. Quando o calçado não absorve esse impacto adequadamente, o joelho recebe uma carga maior do que consegue tolerar, intensificando a dor e acelerando o processo inflamatório local.
Para quem tem artrose, essa diferença é ainda mais perceptível, já que a cartilagem comprometida não consegue distribuir as forças com eficiência. Por isso, o calçado deixa de ser apenas um acessório e passa a funcionar como parte do cuidado articular.
Quais características o calçado ideal deve ter?
Alguns aspectos técnicos fazem diferença significativa na proteção do joelho durante a caminhada. Veja o que observar na escolha:
- Amortecimento adequado: entressola com espuma ou gel absorve parte do impacto a cada passo.
- Ajuste correto: nem apertado nem folgado, com bom espaço para os dedos se moverem.
- Solado flexível: deve dobrar na região dos dedos, acompanhando o movimento natural do pé.
- Base larga e estável: oferece mais segurança no apoio e reduz desequilíbrios.
- Salto baixo: idealmente entre 1,5 e 3 centímetros, sem elevações excessivas.
- Material leve e respirável: evita fadiga muscular e desconforto em uso prolongado.
Trocar o calçado quando o amortecimento se desgasta também faz diferença, já que solados gastos perdem a função de proteger a articulação. Esses cuidados se somam aos exercícios para artrose no joelho recomendados por fisioterapeutas no manejo da doença.

Por que chinelos e sapatos rígidos podem piorar a dor?
Chinelos finos, rasteirinhas e sandálias sem estrutura não oferecem amortecimento nem suporte ao arco do pé, o que faz o impacto ser transmitido diretamente para o joelho. Já sapatos rígidos, tamancos e modelos com solado duro alteram a biomecânica da pisada e aumentam a pressão sobre a articulação.
Saltos altos também são desaconselhados, pois deslocam o centro de gravidade para frente e elevam significativamente a carga sobre os joelhos. Esses calçados devem ser evitados no uso diário por quem convive com artrose, especialmente em períodos prolongados em pé ou caminhando.
Quando palmilhas personalizadas podem ajudar?
Em alguns casos, palmilhas personalizadas indicadas por ortopedista ou podólogo ajudam a redistribuir a carga sobre o joelho e a corrigir desequilíbrios da pisada. Elas são moldadas conforme o formato do pé e o tipo de desgaste articular, oferecendo suporte direcionado para cada situação.
No entanto, palmilhas usadas por conta própria podem agravar o quadro em determinados perfis, especialmente quando há comprometimento do compartimento medial. Por isso, a avaliação profissional é essencial antes da indicação, junto com outras estratégias do tratamento para artrose.

O que diz a ciência sobre calçado e carga no joelho?
A relação entre tipo de calçado e sobrecarga articular já foi investigada por pesquisas com análise biomecânica detalhada. Segundo o estudo Effects of common footwear on joint loading in osteoarthritis of the knee, publicado no periódico Arthritis Care & Research e indexado no PubMed, diferentes tipos de calçado podem alterar em até 15% a carga transmitida ao joelho durante a caminhada em pessoas com artrose.
Os pesquisadores avaliaram 31 participantes usando tamancos, tênis estáveis, sapatos flexíveis e chinelos, e observaram que a flexibilidade do solado e a altura do salto são características que influenciam diretamente a sobrecarga articular. O trabalho reforça que a escolha consciente do calçado deve fazer parte das orientações no manejo da doença.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Em caso de dor articular persistente, suspeita de artrose ou dúvida sobre a indicação de palmilhas e calçados específicos, procure orientação de um médico ortopedista, fisioterapeuta ou podólogo qualificado.









