A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pelo corpo e também vendido como suplemento para ajudar no sono. Apesar da fama de opção “leve”, ela não é livre de riscos, especialmente para quem usa anticoagulantes, remédios para pressão, sedativos ou outros medicamentos de uso contínuo.
Por que a melatonina exige cuidado
A melatonina ajuda a sinalizar ao cérebro que é hora de dormir, por isso pode ser útil em situações específicas, como alterações do ritmo de sono. No entanto, tomar por conta própria pode mascarar causas importantes de insônia, como ansiedade, apneia do sono, dor, refluxo ou uso inadequado de telas à noite.
Além disso, a resposta ao suplemento varia conforme idade, dose, horário de uso e condições de saúde. Em algumas pessoas, pode causar sonolência no dia seguinte, tontura, dor de cabeça, náusea e piora do risco de quedas, principalmente em idosos.
Interação com anticoagulantes
O principal alerta envolve pessoas que usam medicamentos para “afinar o sangue”, como a varfarina, ou outros anticoagulantes prescritos para prevenir trombose, embolia ou AVC. Nesses casos, a melatonina pode alterar marcadores de coagulação e aumentar a necessidade de acompanhamento.
- Maior risco de sangramentos, especialmente em quem já tem INR instável;
- Possível alteração do tempo de protrombina e do INR;
- Risco maior quando há uso conjunto com outros remédios ou suplementos;
- Necessidade de avisar o médico antes de iniciar, suspender ou mudar a dose.

O que diz o estudo científico
Segundo a revisão narrativa Current Insights into the Risks of Using Melatonin as a Treatment for Sleep Disorders in Older Adults, publicada em 2023 no periódico Clinical Interventions in Aging, a melatonina costuma ter perfil de segurança favorável, mas ainda faltam dados robustos sobre uso prolongado, especialmente em adultos mais velhos.
A revisão destaca uma possível interação relevante entre melatonina e varfarina, com relatos de aumento do tempo de protrombina e do INR, além de casos de sangramento em pessoas que usavam os dois ao mesmo tempo. Por isso, o estudo sugere maior monitoramento da coagulação quando essa combinação for necessária.
Quem deve conversar com o médico antes
Alguns grupos precisam de mais cautela antes de usar melatonina, mesmo quando o produto é vendido como suplemento. A avaliação é importante para ajustar dose, horário e verificar interações com tratamentos em andamento.
- Pessoas que usam anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários;
- Idosos, especialmente com tontura, quedas ou muitos medicamentos;
- Gestantes, lactantes ou pessoas tentando engravidar;
- Pessoas com doenças autoimunes, epilepsia ou depressão grave;
- Quem usa sedativos, antidepressivos, remédios para pressão ou diabetes.

Como usar com mais segurança
Quando indicada, a melatonina deve ser usada pelo menor tempo necessário e com orientação profissional. Também é importante evitar álcool, dirigir ou operar máquinas após o uso, já que a sonolência pode afetar reflexos e atenção.
Antes de recorrer ao suplemento, vale melhorar hábitos de sono, como manter horário regular, reduzir luz forte à noite, evitar cafeína no fim do dia e deixar o quarto escuro e silencioso. Veja também cuidados naturais para dormir melhor.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









