A fumaça de queimadas costuma ser associada a tosse, falta de ar e irritação nos olhos, mas o impacto pode ir além do pulmão. As partículas finas presentes no ar também podem entrar na circulação, aumentar inflamação e sobrecarregar o coração, especialmente em pessoas com maior risco cardiovascular.
Por que o coração também sente
A fumaça contém material particulado fino, conhecido como PM2,5, que é pequeno o suficiente para alcançar regiões profundas do pulmão. A partir daí, pode estimular inflamação, estresse oxidativo e alterações nos vasos sanguíneos.
De acordo com a Harvard T.H. Chan School of Public Health, a exposição a partículas finas de queimadas foi associada a maior risco de hospitalizações por doenças cardiorrespiratórias, incluindo hipertensão, arritmia, doença isquêmica do coração e doença cerebrovascular.
Sinais que pedem atenção
Durante períodos de fumaça intensa, alguns sintomas podem indicar que o corpo está sob estresse. Eles merecem mais cuidado quando surgem em idosos, gestantes, crianças, fumantes ou pessoas com asma, DPOC, pressão alta ou doença cardíaca.
- Falta de ar, chiado ou tosse persistente;
- Dor ou aperto no peito, mesmo que leve;
- Palpitações, tontura ou sensação de desmaio;
- Pressão mais alta que o habitual;
- Cansaço incomum após atividades simples.

Estudo científico sobre fumaça de queimadas
O efeito da fumaça não termina necessariamente quando o fogo diminui. Isso é importante porque partículas finas podem permanecer no ar e manter o risco elevado por mais tempo, principalmente em regiões com qualidade do ar ruim.
Segundo o estudo observacional Medium-term Exposure to Wildfire Smoke PM2.5 and Cardiorespiratory Hospitalization Risks, publicado na revista Epidemiology, a exposição média de 3 meses ao PM2,5 de queimadas foi associada a maior risco de hospitalizações por várias doenças cardiovasculares e respiratórias. A hipertensão apareceu entre os desfechos com maior aumento de risco.
Como se proteger nos dias de fumaça
Medidas simples podem reduzir a exposição, principalmente quando há alertas de qualidade do ar ruim. O objetivo é diminuir a entrada de partículas no organismo, não apenas aliviar sintomas respiratórios.
- Evite exercício ao ar livre quando o ar estiver carregado de fumaça;
- Mantenha portas e janelas fechadas nos horários de maior poluição;
- Use máscara PFF2 ou N95 se precisar sair em áreas com fumaça intensa;
- Considere purificador com filtro HEPA em ambientes internos, quando possível;
- Não suspenda remédios para pressão, coração ou pulmão sem orientação.

Quem deve redobrar o cuidado
Pessoas com pressão alta, arritmia, insuficiência cardíaca, histórico de infarto ou AVC devem acompanhar sintomas e medidas de pressão durante episódios de fumaça. Dor no peito, falta de ar intensa, confusão, lábios arroxeados ou desmaio exigem atendimento imediato.
Para entender melhor sinais e cuidados respiratórios, veja também este conteúdo sobre falta de ar. Em períodos de queimadas, proteger o pulmão também é uma forma de reduzir a sobrecarga sobre o coração.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









