Cabelos que caem com facilidade e unhas que quebram ao menor esforço costumam ser tratados como questão estética, mas podem refletir um problema interno mais profundo: a deficiência de ferro. Esse mineral é essencial para o transporte de oxigênio e para o funcionamento de várias estruturas do corpo, incluindo folículos capilares e matriz ungueal. A queda nos estoques de ferritina, principal forma de armazenamento do ferro, pode afetar os fios e a saúde geral antes mesmo de provocar anemia.
Qual a função do ferro no organismo?
O ferro participa da formação da hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio dos pulmões para todos os tecidos. Também atua na produção de energia celular, na função imunológica e na divisão de células de crescimento rápido, como as do cabelo e das unhas.
Quando os estoques diminuem, o organismo prioriza órgãos vitais e reduz o fornecimento de ferro para áreas consideradas menos essenciais, o que explica por que os primeiros sinais aparecem nos fios e nas unhas, em quadros associados à anemia ferropriva.
Quais são os cinco sinais mais comuns de deficiência de ferro?
Os sintomas surgem de forma gradual e costumam se manifestar antes mesmo de alterações no hemograma. Reconhecer esses sinais ajuda a buscar avaliação médica precocemente.

Outros sinais podem incluir dor de cabeça frequente, pernas inquietas e dificuldade de concentração, todos relacionados à redução da oxigenação tecidual.
Por que a ferritina baixa afeta cabelos e unhas?
A ferritina é a forma de armazenamento do ferro no organismo e funciona como uma reserva estratégica. Quando essa reserva começa a diminuir, mesmo que a hemoglobina ainda esteja normal, o suprimento de ferro para os folículos capilares e a matriz ungueal já fica comprometido.
Isso reduz a velocidade de crescimento dos fios, encurta o ciclo capilar e fragiliza as unhas. Por esse motivo, a avaliação da ferritina é fundamental na investigação de casos de queda de cabelo persistente, mesmo sem anemia diagnosticada.
O que mostra um estudo científico sobre ferritina e queda de cabelo?
A relação entre os estoques de ferro e a saúde capilar é amplamente investigada na dermatologia. De acordo com o estudo The Diagnostic Value of Serum Ferritin for Telogen Effluvium, publicado no periódico Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology, pacientes com eflúvio telógeno, um tipo de queda difusa, apresentaram níveis de ferritina sérica significativamente mais baixos quando comparados a indivíduos saudáveis e a pacientes com alopecia androgenética.
Os autores concluem que a ferritina pode ser um marcador útil na avaliação de quadros de queda capilar, reforçando a importância da dosagem laboratorial mesmo na ausência de anemia franca.

Quais exames são indicados e quando suplementar ferro?
O diagnóstico envolve exames de sangue que avaliam tanto o ferro circulante quanto seus estoques. A análise conjunta é essencial para diferenciar deficiência de ferro de outras causas de queda capilar e fragilidade ungueal.
- Hemograma completo, para identificar anemia
- Ferritina sérica, marcador dos estoques corporais
- Ferro sérico e saturação de transferrina
- Capacidade total de ligação do ferro (TIBC)
- Exames complementares, como TSH e vitamina D, quando indicados
A suplementação só deve ser iniciada após avaliação médica, já que doses excessivas podem causar efeitos adversos e interferir na absorção de outros minerais. A reposição costuma ser indicada quando há sintomas associados a níveis baixos de ferritina, mesmo sem anemia confirmada, e deve ser acompanhada por exames periódicos.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Diante de sintomas persistentes, procure orientação médica.









