O leite cru voltou a circular como tendência alimentar, mas a gripe aviária em vacas leiteiras reacendeu um alerta antigo: produtos não pasteurizados podem carregar microrganismos capazes de causar infecções. A promessa de alimento “mais natural” não elimina o risco, especialmente para crianças, gestantes, idosos e pessoas com imunidade baixa.
Por que o leite cru preocupa
O leite cru é aquele que não passa pela pasteurização, processo de aquecimento controlado usado para reduzir germes perigosos. Sem essa etapa, o alimento pode conter bactérias como Salmonella, E. coli e Listeria, além de vírus em situações específicas.
Com a detecção de gripe aviária H5N1 em rebanhos leiteiros nos Estados Unidos, o cuidado ficou ainda mais evidente. Segundo o CDC, o surto em vacas leiteiras foi relatado pela primeira vez em março de 2024, e pessoas com contato ocupacional com animais infectados têm maior risco de exposição.
O que o estudo científico mostrou
O alerta ganhou força porque pesquisadores passaram a investigar se o vírus poderia estar presente no leite e se a pasteurização seria suficiente para inativá-lo. Essa diferença entre leite cru e leite pasteurizado é central para entender o risco.
Segundo o estudo Inactivation of Highly Pathogenic Avian Influenza Virus with High Temperature Short Time Continuous Flow Pasteurization and Virus Detection in Bulk Milk Tanks, publicado no Journal of Food Protection, amostras de leite cru de fazendas afetadas tiveram material genético do vírus, e parte delas continha vírus infeccioso. O mesmo estudo indicou que a pasteurização contínua em alta temperatura e curto tempo inativou o H5N1 nas condições avaliadas.

Onde o risco aumenta
O perigo não está apenas em beber um copo de leite cru. Qualquer derivado feito com leite não pasteurizado pode representar risco, principalmente quando não há controle sanitário rigoroso.
- Leite vendido direto da fazenda, sem pasteurização.
- Queijos frescos feitos com leite não pasteurizado.
- Iogurtes, kefir ou manteigas caseiras de origem duvidosa.
- Produtos comprados sem rótulo, inspeção ou refrigeração adequada.
- Consumo por gestantes, crianças pequenas, idosos ou imunossuprimidos.
Como escolher com mais segurança
A leitura do rótulo ajuda a diferenciar uma escolha segura de uma aposta arriscada. O ideal é buscar produtos com indicação clara de pasteurização e inspeção sanitária.
- Prefira leite e derivados com a frase leite pasteurizado ou UHT.
- Evite produtos sem identificação do fabricante e sem selo de inspeção.
- Mantenha laticínios refrigerados conforme a embalagem.
- Não ofereça leite cru a crianças, gestantes ou pessoas frágeis.
- Desconfie de promessas de “mais natural” sem comprovação de segurança.
Para entender melhor os riscos de alimentos contaminados e os sintomas que podem aparecer, veja também o conteúdo sobre intoxicação alimentar.

O que fica para o consumidor
A gripe aviária não significa que todo leite seja perigoso. O ponto principal é que a pasteurização continua sendo uma barreira importante de segurança, enquanto o leite cru mantém riscos evitáveis.
Se houver febre, vômitos, diarreia intensa, sangue nas fezes, desidratação ou sintomas após consumir laticínios não pasteurizados, é importante procurar atendimento. Em caso de contato com animais doentes, secreções ou leite cru de rebanhos afetados, a orientação profissional também é necessária.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









