A endometriose é mais conhecida pela cólica intensa, dor pélvica e dificuldade para engravidar, mas estudos recentes mostram que ela também pode se relacionar ao risco cardiovascular. Isso não significa que toda mulher com endometriose terá problemas no coração, mas reforça a importância de olhar para a doença como uma condição inflamatória que pode afetar o corpo inteiro.
Por que a endometriose vai além da dor
Na endometriose, um tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, podendo atingir ovários, trompas, intestino e bexiga. Esse processo pode causar inflamação crônica, alterações hormonais e maior sensibilidade à dor.
Com o tempo, a inflamação persistente pode se somar a outros fatores, como pressão alta, colesterol alterado, resistência à insulina, sedentarismo e histórico familiar. Para entender melhor sintomas e tratamento, veja mais sobre endometriose.
O estudo científico sobre risco cardíaco
Segundo a revisão sistemática e meta-análise Endometriosis and risk of cardiovascular disease: a systematic review and meta-analysis, publicada na BMC Public Health, pesquisadores analisaram estudos sobre a relação entre endometriose e doenças cardiovasculares.
A análise encontrou associação entre endometriose e maior risco de doença cardiovascular, além de maior risco de hipertensão. O achado não prova que a endometriose seja a única causa, mas indica que mulheres com a condição podem se beneficiar de acompanhamento mais atento dos fatores de risco cardíaco.

Sinais que merecem atenção
A dor pélvica intensa durante a menstruação é um dos sinais mais conhecidos, mas outros sintomas podem indicar que a endometriose está afetando a rotina e exigindo avaliação ginecológica.
- Cólica menstrual forte, que atrapalha trabalho, estudos ou atividades diárias.
- Dor durante ou após a relação sexual.
- Dor ao evacuar ou urinar, principalmente no período menstrual.
- Sangramento intenso ou fora do período esperado.
- Dificuldade para engravidar ou dor pélvica crônica.
Como proteger o coração
Ter endometriose não muda a necessidade de cuidar dos fatores clássicos de risco cardiovascular. Pelo contrário, pode ser um motivo a mais para acompanhar exames e hábitos com regularidade.
- Meça a pressão arterial periodicamente.
- Acompanhe colesterol, glicose e peso com orientação médica.
- Pratique atividade física adequada ao nível de dor e energia.
- Priorize alimentação rica em fibras, frutas, legumes, verduras e grãos integrais.
- Evite tabagismo e limite álcool, pois ambos aumentam o risco cardiovascular.

Quando conversar com o médico
Mulheres com endometriose devem informar ao ginecologista se têm histórico familiar de infarto, AVC, pressão alta, diabetes ou colesterol elevado. Essa conversa ajuda a decidir quando investigar risco cardiovascular e quando envolver cardiologista ou clínico geral.
Também é importante buscar ajuda se houver dor no peito, falta de ar, palpitações, desmaio, pressão alta repetida ou dor pélvica incapacitante. Tratar a endometriose e acompanhar o coração são cuidados complementares, especialmente quando a dor deixa pistas de que a inflamação pode estar indo além da pelve.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









