O café pode fazer parte de uma rotina saudável, mas o modo de preparo muda a conversa quando o assunto é colesterol. A diferença está na filtragem: métodos sem filtro de papel, como prensa francesa, deixam passar compostos do café que podem influenciar o colesterol LDL, conhecido como colesterol “ruim”.
Por que o preparo importa
O café contém compostos chamados diterpenos, principalmente cafestol e kahweol. Eles estão presentes nos óleos naturais do grão e aparecem em maior quantidade quando a bebida não passa por filtro de papel.
Segundo a Harvard T.H. Chan School of Public Health, o filtro de papel pode reter parte desses compostos, enquanto preparos não filtrados, como prensa francesa e café fervido, tendem a concentrá-los mais.
Filtrado ou prensa francesa
No café filtrado, o pó passa por um filtro de papel que ajuda a segurar parte dos óleos do café. Já na prensa francesa, o contato com a água é prolongado e a separação ocorre por uma tela metálica, que não retém os diterpenos da mesma forma.
- Café filtrado tende a ter menos cafestol e kahweol.
- Prensa francesa preserva mais óleos naturais do café.
- Café turco ou fervido também costuma ser não filtrado.
- Espresso pode ter quantidade intermediária, dependendo do consumo.

Quem deve prestar mais atenção
Para a maioria das pessoas, o impacto depende da quantidade consumida, do padrão alimentar e do risco cardiovascular individual. Mas quem já tem colesterol alto, histórico familiar ou doença cardiovascular deve conversar com um profissional sobre o melhor tipo de preparo.
Isso não significa que a prensa francesa esteja proibida. O ponto é ajustar frequência e volume, especialmente quando o LDL está elevado. Veja também formas de controlar o colesterol alto no dia a dia.
O que diz um estudo científico
A relação entre método de preparo e colesterol foi analisada no estudo transversal The cholesterol-raising factor from coffee beans, publicado no Journal of the Royal Society of Medicine. O trabalho descreveu o cafestol como um composto do café capaz de elevar o colesterol, especialmente em bebidas não filtradas.
Esse achado ajuda a explicar por que o mesmo café pode ter efeitos diferentes conforme o preparo. Ao usar filtro de papel, parte dos diterpenos fica retida, reduzindo a exposição a compostos que podem interferir no colesterol em pessoas sensíveis.

Como escolher melhor
Se o objetivo é cuidar do coração sem abrir mão do café, o preparo filtrado em papel costuma ser a opção mais prudente. Também vale evitar excesso de açúcar, cremes e acompanhamentos ultraprocessados, que podem pesar mais na saúde cardiovascular do que a bebida em si.
- Prefira filtro de papel se o LDL estiver alto.
- Evite grandes volumes de café não filtrado todos os dias.
- Não compense com açúcar, chantilly ou xaropes.
- Converse com o médico se usa remédios para colesterol.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, nutricionista ou outro profissional de saúde.









