A enxaqueca vai muito além da dor de cabeça pulsátil tradicional. Algumas formas menos conhecidas, como a enxaqueca com aura, a vestibular e a hemiplégica, apresentam sintomas neurológicos que podem ser confundidos com quadros graves, como o acidente vascular cerebral. Reconhecer esses sinais é o primeiro passo para um diagnóstico correto e para evitar complicações.
O que é enxaqueca com aura?
A enxaqueca com aura é caracterizada por sintomas neurológicos transitórios que surgem antes ou durante a dor de cabeça, geralmente com duração entre 5 e 60 minutos. Os mais comuns envolvem alterações visuais, como pontos luminosos, linhas em zigue-zague ou perda parcial de visão.
Além das manifestações visuais, podem ocorrer formigamento no rosto ou nas mãos, dificuldade para falar e sensação de peso nos membros. Esses episódios, embora reversíveis, exigem avaliação médica para diferenciar a aura de outras causas de dor de cabeça mais sérias.
Como reconhecer a enxaqueca vestibular?
A enxaqueca vestibular afeta o sistema responsável pelo equilíbrio e costuma se manifestar com episódios intensos de vertigem, com ou sem dor de cabeça associada. As crises podem durar de poucos minutos a 72 horas e pioram com a movimentação da cabeça.
Antes de descrever os sinais, vale destacar que muitos pacientes recebem diagnósticos equivocados de labirintite. Os principais sintomas da enxaqueca vestibular são:

O que caracteriza a enxaqueca hemiplégica?
A enxaqueca hemiplégica é um subtipo raro em que a aura inclui fraqueza muscular temporária em um lado do corpo, podendo afetar rosto, braço e perna. Por mimetizar um AVC, qualquer primeiro episódio exige investigação neurológica de urgência.
Existem duas formas reconhecidas, que se diferenciam pela origem genética:
- Enxaqueca hemiplégica familiar, quando mais de um parente próximo apresenta o mesmo quadro
- Enxaqueca hemiplégica esporádica, sem histórico familiar identificado
- Episódios com fraqueza que dura de minutos a horas, raramente persistindo por semanas
- Alterações visuais, sensoriais e de fala que acompanham a hemiparesia

Como um estudo científico embasa o diagnóstico da enxaqueca vestibular?
O reconhecimento desses subtipos avançou muito após a padronização de critérios clínicos internacionais. Segundo o estudo Vestibular Migraine, uma revisão por pares publicada na revista Current Neurology and Neuroscience Reports, a enxaqueca vestibular ainda é subdiagnosticada e pode causar sintomas persistentes mesmo fora das crises, impactando a qualidade de vida.
A revisão reforça que o diagnóstico depende da combinação de história clínica detalhada e critérios definidos pela Sociedade Bárány e pela Sociedade Internacional de Cefaleia, já que exames de função vestibular costumam ser normais. Por isso, descrever bem os sintomas durante a consulta sobre tontura e vertigem faz toda a diferença.
Quando procurar um neurologista?
Sinais de alerta incluem dor de cabeça súbita e muito intensa, fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar, alterações visuais que duram mais de 60 minutos e qualquer episódio acompanhado de febre ou rigidez na nuca. Nesses casos, a avaliação deve ser imediata.
Também é indicado consultar um neurologista quando as crises se tornam frequentes, mudam de padrão ou comprometem as atividades diárias. O acompanhamento contínuo permite ajustar o tratamento para enxaqueca e reduzir o risco de cronificação dos sintomas.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Em caso de sintomas persistentes ou sinais de alerta, procure orientação médica.









