Voos longos e trajetos prolongados de carro ou ônibus podem prejudicar a circulação sanguínea, favorecendo inchaço nas pernas e, em casos mais raros, formação de coágulos. A boa notícia é que pequenos ajustes na alimentação e na hidratação, somados a hábitos simples durante o trajeto, fazem grande diferença para chegar ao destino com mais conforto e segurança. Veja como se preparar antes de pegar a estrada ou o avião.
Por que viagens longas prejudicam a circulação?
Ficar muito tempo na mesma posição reduz a ação dos músculos da panturrilha, que funcionam como uma bomba natural para empurrar o sangue de volta ao coração. Sem esse movimento, o sangue fica mais lento nas veias das pernas, aumentando o inchaço e o risco de coágulos.
Em voos, somam-se ainda a baixa umidade do ar e a menor pressão atmosférica na cabine, que podem favorecer a desidratação leve. Esses fatores aumentam a importância dos cuidados antes e durante o trajeto, especialmente em pessoas com histórico de trombose venosa profunda ou má circulação.
Quais alimentos consumir antes de viajar?
A alimentação nas horas que antecedem a viagem ajuda a manter a fluidez do sangue, reduzir a retenção de líquidos e dar mais energia ao corpo. O segredo está em combinar hidratação, potássio e gorduras boas.
Boas opções para incluir na refeição pré-viagem são:

Evite refeições muito gordurosas, frituras e alimentos ultraprocessados antes de embarcar, pois eles podem causar desconforto e retenção de líquidos.
Como a hidratação e o potássio ajudam?
A água é essencial para manter a viscosidade adequada do sangue e o bom funcionamento das veias. Já o potássio ajuda a equilibrar o sódio no organismo, reduzindo o inchaço e contribuindo para a regulação da pressão arterial.
Reduzir o consumo de sal nos dias anteriores à viagem também é uma estratégia útil, especialmente para quem costuma sofrer com retenção de líquidos. Durante o trajeto, prefira água a refrigerantes, bebidas alcoólicas ou em excesso de café, que podem desidratar o corpo.

O que dizem as diretrizes científicas sobre trombose em viagens?
O risco de trombose associada a viagens já foi avaliado em documentos médicos de referência. A diretriz intitulada Guidelines on travel-related venous thrombosis, publicada no British Journal of Haematology, destaca que viagens superiores a 4 horas representam um fator de risco modesto para tromboembolismo venoso e recomenda medidas simples, como mobilização frequente das pernas e uso de meias de compressão em pessoas com maior risco.
Os autores ressaltam que a hidratação adequada é razoável e segura, embora isoladamente não substitua outras medidas preventivas em pessoas predispostas.
Quais cuidados adotar durante o trajeto?
Manter o corpo em movimento, mesmo dentro de um avião ou carro, é uma das estratégias mais eficazes para preservar a circulação. Pequenas pausas e exercícios simples já fazem diferença significativa.
Algumas recomendações práticas incluem:
- Levantar-se a cada 1 ou 2 horas para caminhar pelo corredor do avião ou em paradas na estrada
- Movimentar os pés e as panturrilhas, fazendo flexões e rotações dos tornozelos
- Evitar cruzar as pernas por longos períodos
- Usar roupas confortáveis e que não apertem a cintura ou as pernas
- Considerar meias de compressão graduada, especialmente em viagens superiores a 4 horas
- Beber água regularmente, sem esperar a sede aparecer
- Reduzir o consumo de álcool e cafeína durante o trajeto
Pessoas com histórico de trombose, cirurgias recentes, gravidez, uso de anticoncepcionais ou doenças cardiovasculares devem conversar com um angiologista antes de viagens muito longas.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Em caso de inchaço persistente, dor nas pernas ou histórico de problemas circulatórios, procure orientação médica antes da viagem.









