A chamada “gordura no fígado” ganhou um novo nome: MASLD, sigla em inglês para doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica. A mudança ajuda a mostrar que o problema não envolve apenas o fígado, mas também resistência à insulina, obesidade, pressão alta, colesterol alterado e risco cardíaco.
O que significa MASLD
MASLD é o novo termo usado para descrever o acúmulo de gordura no fígado quando existe pelo menos um fator de risco metabólico associado. Isso inclui excesso de peso, diabetes tipo 2, triglicerídeos altos, pressão alta ou alterações no colesterol.
A mudança substitui a ideia antiga de “gordura no fígado não alcoólica” e coloca o metabolismo no centro da avaliação. Assim, o diagnóstico passa a olhar não só para a imagem do fígado, mas também para o contexto de saúde da pessoa.
Por que o nome mudou
O termo antigo, NAFLD, era baseado principalmente na exclusão do álcool como causa. Já MASLD tenta ser mais claro e menos estigmatizante, além de refletir melhor o que costuma estar por trás da doença: uma combinação de fatores metabólicos.
- Glicose alta ou resistência à insulina;
- Acúmulo de gordura abdominal;
- Triglicerídeos elevados;
- Pressão arterial alta;
- HDL baixo, conhecido como “colesterol bom”.

O que diz um estudo científico
A relação entre MASLD e coração foi avaliada em uma grande pesquisa populacional, que acompanhou milhões de adultos para entender se o novo conceito também identificava pessoas com maior risco cardiovascular.
Segundo o estudo de coorte Metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease and risk of cardiovascular disease, publicado na Gut, pessoas classificadas com MASLD tiveram maior risco de eventos cardiovasculares, incluindo infarto, AVC, insuficiência cardíaca ou morte cardiovascular.
Como o fígado se conecta ao coração
O fígado participa do controle de gorduras, glicose e inflamação no corpo. Quando há gordura hepática associada a alterações metabólicas, pode existir maior circulação de triglicerídeos, resistência à insulina e inflamação leve persistente.
Por isso, a MASLD não deve ser vista apenas como um achado no ultrassom. Ela pode funcionar como um alerta para investigar risco cardiovascular, hábitos alimentares, sedentarismo e doenças silenciosas, como diabetes e hipertensão.

O que fazer após o diagnóstico
O tratamento costuma envolver mudanças sustentáveis no estilo de vida, com perda de peso quando indicada, alimentação equilibrada, atividade física regular e controle de doenças associadas. Em alguns casos, o médico pode solicitar exames para avaliar inflamação ou fibrose no fígado.
- Reduzir bebidas açucaradas, ultraprocessados e excesso de carboidratos refinados;
- Priorizar frutas, verduras, leguminosas, proteínas magras e gorduras boas;
- Controlar glicose, pressão, triglicerídeos e colesterol;
- Evitar automedicação e suplementos “detox” sem orientação;
- Manter acompanhamento médico se houver diabetes, obesidade ou enzimas hepáticas alteradas.
Para entender melhor sintomas, causas e tratamento, veja também o conteúdo sobre gordura no fígado. Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









