O ômega-3 é conhecido por ajudar a reduzir triglicerídeos e participar da saúde cardiovascular, mas doses altas em suplementos podem não ser tão seguras para o ritmo do coração. Novas análises sugerem que EPA e DHA em grandes quantidades podem aumentar o risco de fibrilação atrial, uma arritmia que deixa os batimentos irregulares.
Por que a dose importa
O ômega-3 presente em peixes faz parte de uma alimentação saudável, mas suplemento em dose alta é diferente de comer peixe algumas vezes por semana. Cápsulas concentradas podem entregar quantidades maiores de EPA e DHA, muitas vezes usadas para tratar triglicerídeos elevados.
Esse uso deve ser individualizado porque o possível benefício metabólico precisa ser comparado ao risco de efeitos indesejados, especialmente em pessoas com risco cardiovascular, idade avançada ou histórico de arritmias.
O que diz o estudo científico
Segundo a meta-análise Effects of Omega-3 Fatty Acid Treatment on Risk for Atrial Fibrillation, publicada em 2025, o tratamento com EPA e DHA parece aumentar o risco de fibrilação atrial em pessoas com alto risco cardiovascular.
A análise incluiu 34 ensaios clínicos, com 114.326 participantes, e observou que o aumento do risco foi mais evidente em estudos com maior dose de ômega-3. Isso não significa que todo suplemento cause arritmia, mas reforça que doses altas não devem ser usadas sem orientação.

O que é fibrilação atrial
A fibrilação atrial é uma alteração do ritmo cardíaco em que o coração bate de forma irregular e, às vezes, acelerada. Ela pode causar palpitações, cansaço, falta de ar, tontura ou sensação de aperto no peito.
- Palpitações ou batimentos irregulares;
- Cansaço fora do habitual;
- Falta de ar aos esforços ou em repouso;
- Tontura, desmaio ou fraqueza;
- Maior risco de formação de coágulos e AVC em alguns casos.
Quem já tem arritmia, insuficiência cardíaca, pressão alta, diabetes ou doença coronariana deve ter cuidado extra antes de iniciar suplementos concentrados.
Quando o ômega-3 ainda pode ser útil
O ômega-3 pode ter indicação em situações específicas, principalmente para reduzir triglicerídeos altos. Mesmo assim, o tipo de fórmula, a dose e o tempo de uso devem ser definidos por médico ou nutricionista.
Para a maioria das pessoas, a melhor estratégia é priorizar fontes alimentares, como sardinha, salmão, atum, chia, linhaça e nozes, dentro de uma dieta equilibrada. Veja também mais orientações sobre ômega-3.

Cuidados antes de suplementar
Antes de usar ômega-3 em cápsulas, especialmente em doses altas, é importante avaliar exames, medicamentos em uso e histórico cardíaco. O risco pode ser maior quando há arritmias prévias ou uso de remédios que interferem na coagulação.
- Não use doses altas por conta própria;
- Informe o médico se tiver palpitações ou arritmia;
- Avise sobre anticoagulantes, antiagregantes ou cirurgias marcadas;
- Prefira suplementos com procedência confiável;
- Busque ajuda urgente em caso de dor no peito, desmaio ou falta de ar intensa.
O principal alerta é que “natural” não significa isento de risco. Em dose alta, o ômega-3 deve ser tratado como uma intervenção de saúde, não como um suplemento comum.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









