A síndrome de pica é o desejo persistente de mastigar ou ingerir substâncias sem valor nutricional, como gelo, terra, argila, papel ou amido. Embora possa parecer apenas um hábito estranho, esse comportamento pode ser um sinal de alerta para deficiência de ferro e, em alguns casos, também de zinco, especialmente quando surge de forma intensa ou repentina.
O que é síndrome de pica
A pica é caracterizada pela vontade repetida de consumir itens que não são alimentos. Quando o desejo é por gelo, recebe o nome de pagofagia, uma forma frequentemente associada à deficiência de ferro, com ou sem anemia.
Segundo a Mayo Clinic, a anemia por deficiência de ferro pode causar vontade de comer substâncias que não são alimento, como gelo, terra ou argila, além de cansaço, fraqueza, falta de ar e pele pálida.
Por que ferro e zinco podem estar envolvidos
O ferro participa do transporte de oxigênio no sangue e da produção de energia. Quando falta, o cérebro e os músculos podem funcionar com menor eficiência, favorecendo sintomas como fadiga, tontura, queda de rendimento e desejos incomuns.
O zinco também tem papel importante no paladar, no olfato, na imunidade e na cicatrização. Quando está baixo, pode haver alterações sensoriais que contribuem para vontade de mastigar substâncias específicas, embora a relação com pica seja mais forte e mais bem documentada para o ferro.

O que diz um estudo científico
Segundo a revisão sistemática e meta-análise A meta-analysis of pica and micronutrient status, publicada no American Journal of Human Biology, a pica foi associada a maior risco de anemia, hemoglobina baixa, hematócrito reduzido e níveis menores de zinco no plasma.
Esse achado reforça que o desejo por gelo ou itens não comestíveis não deve ser ignorado, principalmente em crianças, gestantes e pessoas com dietas restritivas. O estudo científico mostra que a pica pode funcionar como uma pista clínica para deficiências nutricionais ocultas.
Sinais que merecem atenção
A pica pode aparecer junto com sintomas de anemia ou de deficiência mineral. A atenção deve ser maior quando o comportamento dura semanas, aumenta com o tempo ou envolve substâncias perigosas.
- Vontade intensa de mastigar gelo todos os dias;
- Desejo por terra, argila, papel, giz, sabão ou amido;
- Cansaço, fraqueza, tontura ou falta de ar;
- Unhas quebradiças, queda de cabelo ou palidez;
- Alteração do paladar, feridas na boca ou baixa imunidade.

Como investigar e tratar
A avaliação deve incluir histórico alimentar, sintomas, uso de medicamentos, perdas de sangue, fluxo menstrual intenso e exames como hemograma, ferritina, ferro sérico e, quando indicado, zinco. Em crianças, também pode ser necessário investigar risco de intoxicação por chumbo, parasitoses ou problemas do desenvolvimento.
O tratamento depende da causa e pode envolver correção da alimentação, suplementação e acompanhamento médico. Para entender melhor sintomas e cuidados, veja também como identificar a anemia ferropriva e consulte a explicação da Mayo Clinic sobre deficiência de ferro.
- Não use ferro ou zinco por conta própria, pois o excesso pode causar efeitos adversos;
- Procure atendimento se houver ingestão de terra, tinta, produtos de limpeza ou objetos;
- Investigue a causa da deficiência, não apenas o sintoma;
- Em gestantes e crianças, a avaliação deve ser prioritária.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, nutricionista ou outro profissional de saúde.









