Treinar com o termômetro nas alturas parece um teste de resistência, mas pode esconder um risco sério para a saúde. Quando o corpo não consegue dissipar o calor produzido pelo esforço físico, ele entra em sobrecarga, perde líquidos e eletrólitos em excesso e pode desenvolver exaustão térmica, com queda de pressão, desidratação e até perda de consciência. A Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte recomenda cautela redobrada em dias quentes e úmidos, especialmente em atividades ao ar livre.
O que é a exaustão térmica?
A exaustão térmica é uma resposta do organismo à exposição prolongada ao calor combinada com esforço físico. Acontece quando os mecanismos de termorregulação ficam sobrecarregados, levando à perda excessiva de líquidos e sais minerais pela transpiração intensa.
Embora a temperatura corporal raramente ultrapasse os 40 °C nesse quadro, a redução do volume sanguíneo dificulta o trabalho do coração e dos órgãos vitais. Sem cuidado imediato, o problema pode evoluir para a insolação, uma emergência médica.
Por que o exercício intenso no calor é tão arriscado?
Durante a atividade física, os músculos geram grande quantidade de calor que precisa ser eliminada pela pele e pela evaporação do suor. Em ambientes quentes e úmidos, esse processo perde eficiência e a temperatura corporal sobe rapidamente.
Ao mesmo tempo, o sangue é desviado para a periferia para auxiliar no resfriamento, o que reduz o aporte aos órgãos internos. Somada à perda de líquidos pelo suor, essa combinação favorece a queda de pressão, tonturas e desmaios, sobretudo em quem não está aclimatado ao calor.

Quais sinais de alerta exigem atenção imediata?
Reconhecer os primeiros sintomas é decisivo para evitar a progressão do quadro. Eles podem aparecer durante ou logo após o treino e tendem a piorar rápido se a pessoa continuar se exercitando.
Os principais sinais de alerta da exaustão térmica incluem:

Se houver confusão mental, pele quente e seca ou perda de consciência, o quadro pode ter evoluído para insolação e exige atendimento de urgência imediato.
Como um estudo científico orienta a prevenção?
Pesquisadores em medicina esportiva avaliaram durante décadas o impacto do calor sobre o desempenho e a saúde dos atletas. Segundo a revisão Dehydration, hyperthermia, and athletes: science and practice, publicada no Journal of Athletic Training, mesmo perdas inferiores a 2% do peso corporal em líquidos já comprometem a função cardiovascular, prejudicam a termorregulação e reduzem a capacidade de exercício.
Os autores reforçam que a hidratação adequada antes, durante e após o treino é a estratégia mais eficaz para prevenir doenças relacionadas ao calor. Esse cuidado também ajuda a manter o equilíbrio entre eletrólitos essenciais para o funcionamento muscular e cardíaco.
Quais cuidados ajudam a treinar com segurança no calor?
A prevenção começa antes mesmo de calçar o tênis. Adaptar a rotina de exercícios às condições climáticas é a forma mais segura de aproveitar os benefícios da atividade física sem expor o corpo a riscos desnecessários.
As principais recomendações dos médicos do esporte envolvem:
- Evitar treinos ao ar livre nos horários mais quentes, geralmente entre 10h e 16h.
- Hidratar-se com água e bebidas com eletrólitos antes, durante e após o exercício.
- Usar roupas leves, claras e que permitam a evaporação do suor.
- Reduzir intensidade e duração do treino em dias de calor extremo ou alta umidade.
- Respeitar um período de aclimatação de uma a duas semanas em mudanças bruscas de clima.
- Interromper imediatamente a atividade ao perceber qualquer sintoma de mal-estar.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas ou em uso de diuréticos têm maior vulnerabilidade e precisam de cuidados específicos, definidos junto ao profissional de saúde.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação de um médico ou outro profissional de saúde qualificado. Procure orientação especializada para diagnóstico e tratamento adequados ao seu caso.









