O fenômeno TOFI, sigla em inglês para thin outside, fat inside, descreve pessoas aparentemente magras, mas com acúmulo de gordura visceral entre os órgãos. Esse tipo de gordura pode passar despercebido no espelho e na balança, mas aumentar o risco de resistência à insulina, diabetes tipo 2, gordura no fígado e doenças cardiovasculares.
O que é o fenômeno TOFI
TOFI não é um diagnóstico formal, mas um perfil metabólico em que o peso está dentro do esperado e, mesmo assim, há excesso de gordura interna. Diferente da gordura subcutânea, que fica logo abaixo da pele, a gordura visceral se acumula ao redor do fígado, intestinos e pâncreas.
Segundo a Harvard Health Publishing, a gordura visceral preocupa mais do que a gordura subcutânea porque está ligada a alterações metabólicas importantes. Ela pode liberar substâncias inflamatórias e interferir na ação da insulina.
Por que pessoas magras podem ter gordura visceral
Uma pessoa pode ter IMC normal e ainda apresentar baixa massa muscular, alimentação rica em ultraprocessados, sedentarismo, sono ruim ou consumo frequente de álcool. Esses fatores favorecem o depósito de gordura na região abdominal profunda, mesmo sem grande aumento de peso.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
- Cintura aumentada, mesmo com braços e pernas finos;
- Glicose, triglicerídeos ou colesterol alterados;
- Pressão arterial elevada;
- Histórico familiar de diabetes ou doença cardíaca;
- Cansaço frequente e baixa força muscular.

O que diz o estudo científico
Segundo a revisão Lean, but not healthy: the “metabolically obese, normal-weight” phenotype, publicada na revista Current Opinion in Clinical Nutrition and Metabolic Care, existem pessoas magras que apresentam múltiplos fatores de risco cardiometabólico, um perfil conhecido como metabolicamente obeso com peso normal.
Esse estudo ajuda a entender o TOFI porque mostra que o peso corporal, sozinho, não revela toda a saúde metabólica. Em alguns casos, a distribuição da gordura, a quantidade de músculo e os exames laboratoriais dizem mais sobre o risco do que o número na balança.
Como saber se há risco escondido
A tomografia e a ressonância magnética são os métodos mais precisos para medir gordura visceral, mas não costumam ser usados apenas para esse fim. Na prática, profissionais de saúde avaliam medidas corporais, exames de sangue, pressão arterial e histórico familiar.
Algumas medidas simples podem levantar suspeitas:
- Medir a cintura na altura do umbigo;
- Comparar cintura e altura, buscando uma proporção menor que 0,5;
- Verificar glicemia, hemoglobina glicada e insulina quando indicado;
- Acompanhar triglicerídeos, HDL, pressão arterial e enzimas do fígado;
- Avaliar composição corporal e massa muscular com um profissional.

Como reduzir a gordura visceral
A boa notícia é que a gordura visceral costuma responder bem a mudanças consistentes. Exercícios aeróbicos, como caminhada rápida, bicicleta e natação, combinados com musculação, ajudam a melhorar a sensibilidade à insulina e preservar massa magra.
Também é importante priorizar proteínas de qualidade, legumes, verduras, frutas, grãos integrais e reduzir açúcar, bebidas alcoólicas e ultraprocessados. Para entender melhor os riscos do acúmulo abdominal, veja também este conteúdo sobre gordura visceral.
Mesmo pessoas magras devem investigar alterações persistentes nos exames, especialmente quando há histórico familiar ou aumento da cintura. O objetivo não é apenas “perder peso”, mas melhorar a composição corporal, reduzir inflamação e proteger fígado, coração e metabolismo.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









