A doença arterial periférica é um problema vascular silencioso, marcado pelo estreitamento das artérias das pernas em razão do acúmulo de placas de gordura. Muitas vezes confundida com cãibras de cansaço ou desgaste da idade, ela provoca dor durante a caminhada que melhora com o repouso, sintoma chamado de claudicação intermitente. Reconhecer esses sinais é essencial, já que a condição indica risco aumentado de infarto e AVC.
O que é a doença arterial periférica?
A doença arterial periférica é causada pela aterosclerose, processo em que placas de gordura, cálcio e outras substâncias se depositam nas artérias e reduzem o fluxo de sangue para os membros inferiores. Com isso, os músculos das pernas recebem menos oxigênio durante o esforço.
Embora afete diretamente as pernas, a doença é considerada um marcador de aterosclerose sistêmica, ou seja, um indicador de que o mesmo processo pode estar comprometendo artérias do coração e do cérebro.
Quais são os sintomas mais comuns?
O sinal mais característico é a claudicação intermitente, uma dor, queimação ou sensação de cãibra que aparece ao caminhar e alivia com o repouso. Em casos mais avançados, o desconforto pode surgir mesmo em repouso, especialmente à noite, quando as pernas estão estendidas.
Os principais sintomas que merecem atenção incluem:

Por que esses sintomas são confundidos com cansaço?
A dor da claudicação aparece de forma progressiva e tende a melhorar rapidamente com o descanso, o que leva muitas pessoas a atribuírem o desconforto à idade, ao sedentarismo ou a esforços do dia a dia. Esse padrão atrasa o diagnóstico e permite que a aterosclerose evolua silenciosamente.
Pessoas com fatores de risco como tabagismo, diabetes, hipertensão, colesterol alto e histórico familiar de doença cardiovascular merecem atenção redobrada, pois podem apresentar a doença mesmo sem sintomas evidentes.
Como o estudo científico relaciona a doença ao risco cardiovascular?
A confirmação do diagnóstico é feita pelo índice tornozelo-braquial, um exame simples que compara a pressão arterial do tornozelo com a do braço. Valores iguais ou inferiores a 0,9 indicam doença arterial periférica e também sinalizam maior risco de eventos cardiovasculares.
Segundo a revisão The role of ankle-brachial index for predicting peripheral arterial disease, publicada na revista científica Journal of Medicine and Life, o ITB é considerado um preditor independente de aterosclerose generalizada e identifica pacientes com maior chance de desenvolver infarto, AVC e mortalidade cardiovascular, mesmo quando ainda não apresentam sintomas claros.

Como prevenir e tratar a doença arterial periférica?
O tratamento envolve controle dos fatores de risco cardiovasculares, mudanças de hábitos e, em alguns casos, medicamentos como antiplaquetários e estatinas. A prática regular de caminhadas supervisionadas é uma das estratégias mais eficazes para melhorar a circulação e a tolerância ao esforço.
Algumas medidas recomendadas pela literatura médica para reduzir a progressão da doença incluem:
- Parar de fumar, já que o tabagismo é o principal fator de risco
- Controlar a pressão arterial, o colesterol e a glicemia
- Manter alimentação equilibrada, com redução de gorduras saturadas e ultraprocessados
- Praticar atividade física regular, especialmente caminhadas progressivas
- Realizar acompanhamento médico periódico, com avaliação vascular quando indicado
Adotar um estilo de vida saudável e investigar precocemente sinais como dor ao caminhar pode mudar o prognóstico da doença e proteger não apenas as pernas, mas também o coração e o cérebro contra eventos graves.
As informações deste conteúdo têm caráter exclusivamente informativo e não substituem a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por médico ou profissional de saúde habilitado. Procure sempre orientação médica diante de sintomas persistentes ou de fatores de risco cardiovascular.









