A deficiência de zinco é geralmente atribuída a uma dieta insuficiente em fontes desse mineral, mas evidências científicas apontam que o consumo excessivo de açúcar pode ser um fator ainda mais relevante. Quando a glicemia se mantém elevada, o organismo passa a eliminar mais zinco pela urina, comprometendo seus estoques mesmo em pessoas que consomem alimentos ricos no mineral. Esse mecanismo, pouco conhecido pela maioria das pessoas, ajuda a explicar por que a deficiência pode persistir apesar de uma alimentação aparentemente adequada.
Como o excesso de açúcar aumenta a perda de zinco pelo organismo
O zinco é um mineral que participa de mais de 300 reações enzimáticas no corpo, incluindo funções imunológicas, hormonais e de cicatrização. Para que seja aproveitado, ele precisa ser absorvido no intestino e reabsorvido nos túbulos renais. Quando os níveis de glicose no sangue estão persistentemente altos, esse processo de reabsorção nos rins é prejudicado, fazendo com que quantidades significativas de zinco sejam eliminadas na urina.
Esse fenômeno, conhecido como hiperzincúria, é bem documentado em pessoas com diabetes, mas também pode ocorrer em indivíduos sem diagnóstico formal que mantêm uma alimentação rica em açúcares refinados e carboidratos de rápida absorção. A consequência é um ciclo em que quanto mais açúcar se consome, mais zinco o corpo perde, e quanto menos zinco disponível, pior o controle da própria glicemia.

Por que a competição entre minerais agrava o problema?
A biodisponibilidade do zinco não depende apenas da quantidade ingerida. No intestino, ele compete com outros minerais, como cobre, ferro e cálcio, pelos mesmos mecanismos de absorção. Dietas ricas em alimentos fontes de zinco, mas que também contêm excesso de fitatos, presentes em grãos e cereais não processados, podem reduzir ainda mais a absorção desse nutriente.
Quando se soma a essa competição natural o efeito da glicemia elevada sobre a excreção urinária, o resultado é uma deficiência que não se resolve apenas aumentando a ingestão alimentar. É preciso também controlar os fatores que aceleram a perda do mineral pelo organismo.
Quais sinais podem indicar que o zinco está baixo?
A deficiência de zinco nem sempre é fácil de identificar, pois seus sintomas iniciais podem ser confundidos com cansaço ou estresse. Os sinais mais comuns que merecem atenção incluem:

Quando esses sintomas surgem em pessoas que consomem bastante açúcar ou produtos ultraprocessados, a investigação dos níveis de zinco pode revelar uma deficiência que está sendo agravada pelo padrão alimentar. Um exame de sangue simples, solicitado pelo médico ou nutricionista, pode confirmar o diagnóstico.
Estudo científico reforça a relação entre hiperglicemia e perda de zinco
A relação entre glicemia elevada e depleção de zinco tem respaldo em pesquisas recentes. Segundo a revisão Zinc and Diabetes: A Connection between Micronutrient and Metabolism, publicada na revista Cells em 2024, a hiperglicemia interfere no transporte ativo de zinco nas células tubulares renais, resultando em aumento da excreção urinária desse mineral. Os autores destacam que essa perda excessiva compromete a capacidade do pâncreas de sintetizar e liberar insulina adequadamente, podendo favorecer o desenvolvimento de resistência à insulina.
Reduzir o açúcar pode ajudar a preservar o zinco no organismo
Manter os níveis adequados de zinco exige mais do que incluir ostras, carnes e sementes na alimentação. Reduzir o consumo de açúcares refinados, refrigerantes e alimentos ultraprocessados é uma estratégia importante para evitar a perda acelerada desse mineral. Quando a glicemia permanece estável, os rins conseguem reabsorver o zinco de forma mais eficiente, preservando seus estoques no organismo.
Se você percebe sintomas que podem estar relacionados à falta de zinco e mantém uma alimentação com excesso de açúcar, procure um médico ou nutricionista para uma avaliação completa. Somente um profissional pode solicitar os exames adequados, identificar a causa da deficiência e orientar o melhor tratamento.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento de um profissional de saúde. Consulte sempre um médico antes de iniciar qualquer suplementação.









