A hortelã é uma das plantas medicinais mais populares do mundo, conhecida pelo aroma refrescante e pelo uso em chás, cosméticos e produtos de higiene. O que muitas pessoas não sabem é que o mentol, seu principal composto ativo, pode atuar diretamente nos receptores de dor do corpo humano, oferecendo alívio real para quem convive com dores crônicas. Pesquisadores identificaram os mecanismos que explicam como isso acontece, abrindo caminho para novos tratamentos.
O que faz a hortelã ter efeito contra a dor?
O segredo está no mentol, uma substância presente naturalmente na hortelã e em outras plantas da mesma família. Quando o mentol entra em contato com a pele ou com as mucosas do corpo, ele ativa um receptor específico nas células nervosas chamado TRPM8. Esse receptor é o principal sensor de frio do organismo e, ao ser estimulado pelo mentol, envia sinais ao cérebro que provocam a sensação de frescor e reduzem a percepção da dor.
Esse mecanismo explica por que pomadas, géis e bálsamos à base de mentol são tão usados para aliviar dores musculares, articulares e até enxaquecas. O efeito vai além da simples sensação de frio na pele.
Revisão científica confirma o potencial analgésico do mentol
As propriedades da hortelã no combate à dor já contam com respaldo científico sólido. Segundo a revisão “Menthol: A Comprehensive Review of Its Pharmacological Properties and Therapeutic Applications”, publicada na revista Natural Product Communications (Sage Journals), o mentol possui propriedades analgésicas, anti-inflamatórias e antimicrobianas comprovadas. O estudo reúne evidências de que a ativação do receptor TRPM8 pelo mentol é o principal caminho pelo qual essa substância reduz a dor, tanto em quadros agudos quanto em condições inflamatórias crônicas.

Benefícios da hortelã além do alívio da dor
Além do efeito analgésico, a hortelã possui outros compostos que contribuem para a saúde de forma ampla. Veja os principais benefícios associados ao consumo e ao uso tópico dessa planta:
ANTI-INFLAMATÓRIA
Flavonoides da hortelã ajudam a reduzir processos inflamatórios no organismo.
DIGESTÃO
O chá de hortelã alivia gases, náuseas e cólicas, favorecendo o conforto digestivo.
ANTIMICROBIANA
O mentol ajuda a inibir bactérias, sendo útil na saúde bucal.
RESPIRAÇÃO
A inalação do óleo essencial auxilia na desobstrução das vias aéreas.
Quais doenças crônicas podem se beneficiar do mentol?
Pesquisadores da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, identificaram que alterações no funcionamento do receptor TRPM8 estão associadas a diferentes tipos de dor crônica e a distúrbios que envolvem a percepção sensorial. Isso inclui condições como:
- Dores musculares e articulares persistentes, como artrite e fibromialgia.
- Enxaquecas e cefaleias crônicas, nas quais o mentol tópico pode reduzir a intensidade das crises.
- Dor neuropática, causada por lesões nos nervos em decorrência de diabetes ou tratamentos oncológicos.
- Síndrome do olho seco, para a qual já existe um medicamento à base de mentol aprovado para uso clínico em forma de colírio.
O que considerar antes de usar a hortelã para dor?
Apesar dos benefícios, o uso da hortelã e do mentol exige atenção. A aplicação tópica em concentrações elevadas pode causar irritação na pele, especialmente em pessoas com sensibilidade. Gestantes, crianças pequenas e pessoas com doenças respiratórias devem consultar um profissional de saúde antes de utilizar produtos à base de mentol.
Os avanços científicos reforçam o potencial da hortelã como aliada no manejo da dor, mas ela não substitui o acompanhamento médico. Se você convive com dores crônicas, procure orientação de um profissional de saúde para avaliar as melhores opções de tratamento para o seu caso.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento de um médico. Procure sempre orientação profissional para cuidar da sua saúde.









