A perda de audição é uma das condições de saúde mais comuns à medida que envelhecemos, mas frequentemente passa despercebida durante anos. Muitas pessoas se acostumam a pedir para os outros repetirem frases ou aumentar o volume da televisão sem perceber que esses hábitos podem indicar um problema real. Reconhecer os primeiros sinais e buscar ajuda cedo faz toda a diferença, especialmente porque estudos recentes mostram que a perda auditiva não tratada está associada a um risco maior de declínio da memória e demência.
Como a audição muda com o passar dos anos?
Com o envelhecimento, as pequenas células do ouvido interno responsáveis por captar os sons vão se deteriorando de forma natural. Esse processo, chamado de perda auditiva relacionada à idade, acontece de maneira gradual e afeta ambos os ouvidos. Estima-se que 65% dos adultos acima de 60 anos tenham algum grau de perda auditiva, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.
A dificuldade costuma começar com sons agudos e sutis, como vozes de crianças, o toque do telefone ou conversas em ambientes com ruído de fundo. Como a mudança é lenta, muitas pessoas demoram anos para perceber que a audição já não é a mesma.
Sinais de alerta que merecem atenção
Alguns comportamentos do dia a dia podem indicar que a audição está comprometida. Fique atento se você perceber que:
- Pede com frequência para as pessoas repetirem o que disseram, especialmente em lugares com barulho.
- Precisa aumentar cada vez mais o volume da televisão ou do celular para ouvir com clareza.
- Tem dificuldade para acompanhar conversas quando mais de uma pessoa está falando ao mesmo tempo.
- Percebe um zumbido, chiado ou apito constante nos ouvidos, mesmo em ambientes silenciosos.
- Sente que as palavras parecem “embaralhadas” e tem dificuldade para distinguir sons parecidos.
O zumbido nos ouvidos, conhecido como tinnitus, é frequentemente um dos primeiros sinais de perda auditiva. Ele pode se manifestar como um som agudo, um chiado baixo ou um ruído constante e afeta cerca de 15% da população mundial, sendo mais comum entre pessoas de 40 a 80 anos.

Revisão sistemática publicada na Ageing Research Reviews confirma o impacto da perda auditiva no risco de demência
A preocupação com a perda de audição vai além do desconforto. Segundo a revisão sistemática e meta-análise “Perda auditiva de início na idade adulta e incidência de comprometimento cognitivo e demência – Uma revisão sistemática e meta-análise de estudos de coorte”, publicada na revista Ageing Research Reviews, a perda auditiva na vida adulta está associada a um risco 35% maior de desenvolver demência. A pesquisa analisou 50 estudos com mais de 1,5 milhão de participantes e concluiu que a cada 10 decibéis de piora na audição, o risco de demência aumenta em 16%. Os autores reforçam que a detecção e o tratamento precoces podem ser decisivos para preservar a saúde do cérebro ao longo dos anos.
O que fazer ao perceber mudanças na audição?
Ao notar qualquer um dos sinais mencionados, o passo mais importante é procurar um profissional de saúde. O caminho recomendado envolve algumas etapas simples:

Estudos indicam que o uso de aparelhos auditivos pode reduzir de forma significativa o ritmo de declínio da memória em pessoas com perda auditiva. Mesmo assim, apenas uma pequena parcela dos adultos que precisam desses dispositivos efetivamente os utiliza.
Cuidar da audição é cuidar da saúde do cérebro
A perda auditiva não tratada pode levar ao isolamento social, sintomas de ansiedade e depressão, além de acelerar o declínio das funções mentais. Quanto mais cedo o problema for identificado e tratado, maiores as chances de manter a qualidade de vida, a independência e a saúde cerebral por mais tempo.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento de um médico. Se você percebe mudanças na sua audição ou convive com zumbido nos ouvidos, procure um otorrinolaringologista para uma avaliação adequada.









