A Síndrome de Pica é um transtorno alimentar em que a pessoa sente vontade persistente de comer coisas que não são alimentos, como terra, giz, papel ou sabonete. Embora seja comum que crianças pequenas levem objetos à boca por curiosidade natural, a Pica vai além dessa fase e se torna preocupante quando o comportamento se repete por mais de um mês em uma idade em que já não é esperado. Entender essa diferença é fundamental para identificar o problema cedo e buscar o tratamento adequado.
O que é a Síndrome de Pica e por que ela acontece
A Síndrome de Pica é reconhecida pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) como um transtorno alimentar real. Ela se caracteriza pela ingestão repetida de substâncias sem valor nutricional, como pedras, cabelo, tinta ou plástico, por pelo menos um mês. O nome vem do latim e faz referência a uma ave conhecida por comer os mais variados objetos.
As causas podem variar de pessoa para pessoa. Entre os fatores mais comuns estão deficiências nutricionais, especialmente de ferro e zinco, além de condições como autismo, atraso no desenvolvimento e transtornos de ansiedade. Situações de estresse emocional, negligência e problemas familiares também podem funcionar como gatilhos.

Quando a curiosidade infantil deixa de ser normal
É perfeitamente normal que bebês e crianças até cerca de dois anos explorem o mundo colocando objetos na boca. Essa fase faz parte do desenvolvimento e costuma passar naturalmente. A Síndrome de Pica, porém, se diferencia por apresentar um padrão repetitivo e persistente de ingestão de itens não comestíveis em crianças que já ultrapassaram essa idade.
Alguns sinais que merecem atenção dos pais e cuidadores incluem:
- A criança come substâncias como terra, giz ou papel de forma frequente, e não apenas em uma ocasião isolada
- O comportamento persiste por mais de 30 dias e não diminui com orientação
- Há queixas de dor abdominal, prisão de ventre ou outros sintomas digestivos sem causa aparente
- A criança apresenta sinais de anemia, cansaço excessivo ou perda de peso
Estudo científico confirma a relação entre Pica e atrasos no desenvolvimento infantil
A importância de investigar esse transtorno na infância é reforçada pela ciência. Segundo o estudo “Prevalence and Recurrence of Pica Behaviors in Early Childhood within the ALSPAC Birth Cohort”, publicado no International Journal of Eating Disorders, pesquisadores acompanharam mais de 10 mil famílias e identificaram que cerca de 3% das crianças apresentaram comportamentos de Pica. O estudo também revelou que o transtorno foi significativamente mais comum em crianças com autismo e atrasos no desenvolvimento em todas as faixas etárias analisadas, reforçando a necessidade de rastreio precoce nesses grupos. Você pode acessar a pesquisa completa diretamente no PubMed.

Como é feito o tratamento da Síndrome de Pica
O tratamento depende da causa identificada e costuma envolver uma equipe com diferentes profissionais de saúde. As principais abordagens incluem:
- Correção de deficiências nutricionais, com suplementação de ferro, zinco e outros minerais, além de orientação alimentar com um nutricionista
- Terapia comportamental, em que o psicólogo trabalha técnicas para reforçar hábitos saudáveis e reduzir o interesse por substâncias não comestíveis
- Acompanhamento médico, que pode incluir exames de sangue, imagem e avaliação de possíveis complicações como obstruções intestinais ou intoxicações
- Uso de medicamentos, indicado em casos associados a condições como autismo ou transtorno obsessivo-compulsivo, sempre sob orientação médica
Por que o diagnóstico precoce faz toda a diferença
Identificar a Síndrome de Pica o mais cedo possível ajuda a evitar complicações graves, como anemia, intoxicação por substâncias químicas e bloqueios no sistema digestivo. Em crianças, o acompanhamento regular com o pediatra é essencial para diferenciar a curiosidade natural de um padrão que precisa de intervenção. Para saber mais sobre os sintomas e as formas de diagnóstico, confira o guia completo do Tua Saúde sobre picamalácia.
Aviso: Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento de um médico. Caso você identifique sinais da Síndrome de Pica em uma criança ou adulto, procure orientação de um profissional de saúde qualificado.









