A água com gás virou alvo de polêmica nas redes sociais depois que vídeos virais passaram a afirmar que a bebida seria capaz de elevar a pressão arterial de forma perigosa. Cardiologistas e nutricionistas, no entanto, esclarecem que essa informação é exagerada e não encontra respaldo em evidências científicas sólidas. Entenda o que realmente acontece no organismo ao consumir água gaseificada e saiba como manter sua saúde cardiovascular em dia.
A água com gás realmente eleva a pressão arterial?
A resposta curta é: não de forma sustentada. Qualquer ingestão de líquido, seja água natural ou água com gás, pode provocar uma elevação transitória da pressão arterial sistólica logo após o consumo. Esse fenômeno ocorre por causa do reflexo de deglutição, que ativa momentaneamente o sistema nervoso simpático.
Segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão, o aumento observado chega a no máximo 10 mmHg e dura entre um e dois minutos, retornando rapidamente aos níveis normais. Esse tipo de oscilação é semelhante ao que acontece ao subir escadas, caminhar ou passar por uma situação de estresse, sem representar risco para a saúde cardiovascular.
O que dizem os estudos científicos sobre água gaseificada e pressão?
Um estudo publicado no periódico Frontiers in Neurology avaliou a resposta pressórica ao consumo de 200 ml de água gelada, água gaseificada gelada e água em temperatura ambiente em adultos jovens e idosos. Os pesquisadores constataram que a elevação da pressão foi transitória em todos os grupos e relacionada ao estímulo da deglutição, não ao gás carbônico em si. Os resultados completos podem ser conferidos na publicação original disponível no PubMed Central.
Além disso, uma revisão sistemática publicada no Current Nutrition Reports em 2024 analisou toda a literatura disponível sobre o tema e concluiu que não existem evidências consistentes que vinculem o consumo regular de água com gás ao desenvolvimento de hipertensão crônica.

O sódio da água com gás pode prejudicar a pressão?
Essa é uma dúvida frequente entre pessoas que monitoram a pressão arterial. De fato, o excesso de sódio na dieta é um fator de risco comprovado para hipertensão. Porém, a maioria das marcas de água com gás comercializadas no Brasil apresenta teores muito baixos desse mineral. Os principais pontos sobre o sódio na água gaseificada são:
- Marcas populares brasileiras contêm geralmente menos de 1 mg de sódio por litro
- A Organização Mundial da Saúde recomenda um consumo máximo de 2.000 mg de sódio por dia
- Águas minerais naturalmente gaseificadas podem ter concentrações ligeiramente maiores, por isso é fundamental ler o rótulo
- Versões importadas merecem atenção especial, pois algumas ultrapassam 20 mg de sódio por litro
Quem tem pressão alta pode tomar água com gás?
Pessoas com hipertensão controlada e em acompanhamento médico podem, sim, consumir água com gás sem maiores preocupações. A bebida hidrata o corpo da mesma forma que a água natural e pode ser uma aliada para quem deseja abandonar refrigerantes e outras bebidas açucaradas. Para quem busca mais formas naturais de manter a pressão equilibrada, vale a pena conferir dicas práticas de como controlar a pressão arterial naturalmente.
No entanto, existem algumas recomendações importantes para um consumo seguro:
- Prefira marcas com menos de 20 mg de sódio por litro
- Evite confundir água com gás com refrigerantes ou bebidas saborizadas industrializadas
- Consulte o cardiologista antes de modificar a dieta, especialmente em casos de hipertensão não controlada ou doenças renais
- Monitore a pressão arterial regularmente para avaliar se o tratamento está adequado

Por que a água com gás foi chamada de “veneno”?
O termo surgiu em vídeos virais que distorceram dados científicos para gerar engajamento. A comparação da água gaseificada com refrigerantes é equivocada, já que a água com gás não contém açúcar, cafeína nem aditivos químicos. Os estudos que mostraram associação entre bebidas carbonatadas e aumento crônico da pressão referiam-se exclusivamente a refrigerantes, com ou sem açúcar.
O gás carbônico presente na água gaseificada não possui relação direta com o desenvolvimento de hipertensão. O que realmente impacta a saúde cardiovascular a longo prazo é o conjunto de hábitos diários, incluindo alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, controle do estresse e hidratação adequada. A água com gás, quando escolhida com atenção ao rótulo, permanece uma opção segura e refrescante para a maioria das pessoas.









