Sentir o abdômen estufado e lidar com gases em excesso pode ser constrangedor e fisicamente exaustivo, mas, na maioria das vezes, o seu corpo está apenas tentando comunicar algo sobre a sua digestão ou hábitos diários. O segredo para o alívio não está em dietas restritivas extremas, mas sim em entender o equilíbrio sutil entre o que comemos e como o nosso sistema processa cada molécula, transformando o desconforto em leveza com ajustes simples e cientificamente comprovados.
Qual é a frequência normal de gases?
A ciência nos mostra que expelir gases entre 10 e 20 vezes ao dia é considerado perfeitamente saudável pela comunidade médica internacional. Segundo o estudo “Dinâmica e tolerância dos gases intestinais em humanos” a maior parte desse ar é inodora e composta por gases que produzimos naturalmente durante a digestão.
Especialistas explicam que a percepção de “excesso” geralmente está ligada ao desconforto físico e não apenas ao número de ocorrências. O acúmulo de gases pode ser causado pela deglutição de ar ao comer rápido demais ou por processos fermentativos naturais no cólon.
Por que os gases aumentam após comer?
Especialistas da Mayo Clinic no estudo “Gases e dores de gases“ esclarecem que carboidratos não digeridos, como fibras e certos açúcares, são os principais combustíveis para as bactérias intestinais. Quando essas bactérias quebram o alimento, liberam hidrogênio e metano como subprodutos, resultando na sensação de estufamento.
A sensibilidade individual a certos alimentos desempenha um papel crucial nesse processo. Algumas escolhas comuns na nossa mesa são conhecidas por essa alta capacidade fermentativa, exigindo atenção moderada no consumo diário:
Feijões e Grãos
Contêm oligossacarídeos, tipos de açúcares complexos que o corpo humano não possui enzimas para digerir totalmente.
Vegetais Especiais
Brócolis, repolho e couve-flor possuem rafinose e alto teor de enxofre, favorecendo a produção de gases.
Leite e Derivados
A deficiência ou baixa produção da enzima lactase pode causar fermentação explosiva em pessoas sensíveis à lactose.
Líquidos Gaseificados
Introduzem dióxido de carbono diretamente no trato digestivo, aumentando a pressão e a distensão abdominal.
Como as bactérias afetam seu bem-estar?
A ciência nos mostra que a composição da sua microbiota intestinal é o que determina se você terá mais ou menos flatulência. De acordo com a revisão científica “Inchaço e distensão abdominal: qual o papel da microbiota?”, um desequilíbrio bacteriano pode levar à produção acelerada de gases fétidos.
Especialistas da World Gastroenterology Organisation (WGO) explicam que manter o equilíbrio dessas bactérias é fundamental para evitar a distensão abdominal. O uso de prebióticos e uma dieta diversificada ajudam a cultivar uma flora que processa os alimentos de forma mais eficiente e silenciosa.

Como reduzir o desconforto naturalmente?
Evidências do ensaio clínico “O impacto do óleo de hortelã-pimenta na síndrome do intestino irritável: uma metanálise de dados clínicos agrupados” indicam que certas ervas podem relaxar os músculos do trato digestivo, facilitando a passagem dos gases. Além da fitoterapia, pequenas mudanças na mecânica da alimentação podem reduzir drasticamente a ingestão involuntária de ar.
A ciência nos mostra que o manejo do estresse e a prática de exercícios leves, como caminhadas após as refeições, estimulam o peristaltismo de forma natural. Especialistas recomendam adotar as seguintes práticas para garantir uma digestão mais tranquila e sem pressões internas:
- Mastigar lentamente: Reduz a quantidade de ar deglutido (aerofagia) durante a refeição.
- Evitar chicletes: O ato de mascar envia sinais de digestão ao estômago e introduz ar extra.
- Hidratação constante: A água auxilia no transporte do bolo alimentar e evita a constipação.
- Chás digestivos: Infusões de erva-doce ou hortelã ajudam a dispersar as bolhas de gás.
Quando você deve procurar ajuda?
A ciência nos mostra que, embora os gases sejam normais, a presença de sintomas associados como perda de peso ou dor intensa exige investigação. Sinais persistentes podem indicar condições subjacentes, como a síndrome do intestino irritável ou intolerâncias alimentares.
Se o desconforto passar a ditar o seu isolamento social ou vier acompanhado de alterações súbitas no hábito intestinal, é hora de buscar uma avaliação profissional. Entender os sinais do seu corpo é o caminho mais curto para recuperar a sua liberdade e o seu conforto digestivo.
O acompanhamento com um médico é fundamental para um diagnóstico preciso e tratamento seguro.









